O Tico-Tico, a primeira revista em quadrinhos do Brasil

Revista em Quadrinhos O Tico-tico

Quem não gosta de se sentar num cantinho bem confortável, pegar aquela revista em quadrinhos e se divertir lendo histórias mirabolantes? As histórias em quadrinhos têm fãs por todo o mundo, e aqui no Brasil não é diferente.

Aqui no Brasil, foi em 1905 que surgiu a revista semanal O Tico-Tico, considerada a primeira revista em quadrinhos do nosso país. O nome Tico-Tico vinha do agitado passarinho com o mesmo nome. A revista foi influenciada pela publicação francesa La Semaine de Suzette e teve uma tiragem inicial de 11 mil exemplares. Não demorou muito para que a Tico-Tico caísse no gosto das pessoas e por décadas a revista publicou histórias de vários autores. Em alguns números, a tiragem chegou a 100 mil exemplares.

A Tico-Tico era uma revista com pequenas histórias que não eram necessariamente ligadas entre si. Legal, né? Imagina você comprar uma única revista e poder curtir as aventuras de vários heróis?!

Cada peça que andava por lá…

O personagem-símbolo da Tico-Tico foi o famoso Chiquinho. Na primeira vez em que apareceu na revista, Chiquinho não parecia com o personagem americano Buster Brown, mas depois Chiquinho virou a versão brasileira de Buster.

Alguns personagens estrangeiros também deram as caras na Tico-Tico com outros nomes, mas foi pela revista que o Brasil conheceu alguns dos personagens mais famosos dos quadrinhos. Mickey Mouse virou o Ratinho Curioso, o marinheiro Popeye era Brocoió, entre outros.

Um personagem muito interessante da Tico-Tico foi o Zé Macaco, criado por Alfredo Storni especialmente para a revista. Zé Macaco é o personagem que mais durou na história dos quadrinhos brasileiros. Foram quase 50 anos aparecendo na mesma revista, sem parar. O detalhe é que Zé Macaco envelhecia de acordo com o passar do tempo, e se tornou velho e barrigudo.

Querida por todos

A revista tinha vários fãs famosos, entre eles o jurista, político e diplomata brasileiro Ruy Barbosa, a escritora Ruth Rocha e os desenhistas Maurício de Souza e Ziraldo. O poeta Carlos Drummond de Andrade, outro grande fã, disse uma vez que muita gente importante leu a revista quando criança. Drummond brincou: — Se alguns alcançaram importância mas fizeram bobagens, O Tico-Tico não teve culpa. O Dr. Sabe-Tudo e o Vovô (dois personagens da revista) ensinavam sempre a maneira correta de viver, de sentar-se à mesa e de servir à pátria. E da remota infância, esse passarinho gentil voa até nós, trazendo no bico o melhor que fomos um dia. Obrigado, amigo!”.

Concorrência que veio de fora

Durante muitos anos, a Tico-Tico foi a grande referência de quadrinhos no Brasil. Mas a partir da década de 30, os quadrinhos norte-americanos chegaram ao País para concorrer com a Tico-Tico, que não acompanhava as mudanças.

Os super-heróis estrangeiros invadiram as revistas com histórias completas. Então, em 1957, as histórias da Tico-Tico deixaram de ser semanais. A revista brasileira foi perdendo terreno, e na década de 60 só publicava almanaques.

Depois de 2.097 edições e quase 57 anos de existência, a Tico-Tico deixou de existir. A revista foi um marco muito importante para os quadrinhos brasileiros e até hoje é lembrada por ter participado da infância de tantas crianças.

Com informações do site da USP, UniversoHQ, Guia dos Quadrinhos e HQmaniacs

Publicado originalmente em 10/10/2008 

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