Semana de Arte Moderna

Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Oswald de Andrade foram importantes representantes do movimento artístico chamado Semana de Arte Moderna, que aconteceu em São Paulo nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal.

Não foi exatamente uma semana, mas foi assim que ficou conhecido esse importante movimento que aconteceu no Brasil e mudou para sempre a face artística do nosso país. Cada um dos três dias da Semana foi dedicado a um tema diferente: pintura e escultura, poesia e literatura e música.

Para entender porque este movimento foi tão importante é preciso explicar que, até então, a estética que prevalecia no nosso país era algo que vinha lá da Europa. O que era feito por aqui parecia não ter muito valor. Obras que mostrassem o lado tropical dos brasileiros, como os costumes e hábitos dos índios ou a população negra, eram mal recebidas, e sequer eram tratadas como arte. Foi preciso que os artistas brasileiros, depois de entender muito bem o que acontecia lá fora, rompessem com essa estética e trouxessem para cá experiências ousadas e inovadoras.

O movimento era como um grito que dizia em alto e bom som: “sou arte brasileira e não me envergonho disso”. E se há um quadro que resume esse sentimento no imaginário de todos os brasileiros, é o “Abaporu”, da pintora Tarsila do Amaral.

Antropofagia

“Abaporu”, que significa “o homem que come”, representa o espírito antropofágico modernista daqui, isto é, de “devorar e adaptar ao estilo brasileiro toda a cultura europeia”. Em 1995, o quadro foi leiloado por US$ 1 milhão e 500 mil dólares, tornando-se a tela mais cara da História brasileira! Hoje ele está exposto no Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires – MALBA.

Inovadora também foi a exposição organizada em 1917 para as obras de Anita Malfatti, uma jovem artista brasileira que estudou pintura em Paris. Anita já trazia em seus quadros traços do modernismo, movimento que anos depois ganharia o mundo. Ela abandonava o modelo tradicional e clássico de fazer arte, usando cores e formas diferentes para representar pessoas, lugares, natureza e algumas situações.

Logo depois da exposição, o escritor Monteiro Lobato (aquele que escreveu o Sítio do Pica Pau Amarelo) fez uma crítica feroz às obras de Anita em seu artigo “Paranoia ou mistificação?”, publicado no jornal O Estado de S. Paulo. Foi o estopim de nosso modernismo. Isso porque acabou provocando a união dos jovens artistas brasileiros, levando-os a discutir a necessidade de divulgar coletivamente o movimento. E foi o que aconteceu naqueles dias de 1922, a reação.

Quando aconteceram estes eventos, eles não repercutiram muito no País de imediato, o efeito foi mais a longo prazo e durante os anos que se seguiram. Parecia que ninguém mais conseguia fazer arte sem levar em conta o que havia acontecido naquele mês de fevereiro.

Na Literatura e na Música

A explosão de formas e cores também atingiu a música, a poesia e a literatura. Aqueles versos certinhos, todos rimados começaram a ser deixados de lado, e a rima livre começou a aparecer. O escritor Mário de Andrade escreveu a série “Os mestres do passado”, analisando a poesia feita até aquela época e mostrando a necessidade de superá-la, porque missão dela já havia sido cumprida.

O dia 15 de fevereiro de 1922 foi o dia mais ardente. A “atração” dessa noite foi a palestra de Menotti del Picchia sobre a arte estética. Menotti apresentou os escritores dos novos tempos e surgiram vaias e barulhos diversos (miados, latidos, grunhidos, relinchos…) que se alternavam e se confundiam com aplausos.

Quando o poeta Ronald de Carvalho leu o poema intitulado “Os Sapos”, de Manuel Bandeira (poema que critica abertamente a antiga poesia), o público fez coro atrapalhando a leitura do texto. A noite acabou em algazarra. Ronald estava declamando o poema de Bandeira porque o escritor estava sofrendo com uma crise de tuberculose.

O último dia da Semana foi o dia da música. A apresentação futurista do músico Villa-Lobos também provocou muita reação. E nesse evento aconteceu uma coisa muito engraçada. Villa-Lobos entrou no teatro de casaca com um pé calçado com um sapato e outro com chinelo; o público interpretou a atitude dele como desafiadora e desrespeitosa, e o artista foi vaiado impiedosamente. Mas depois ele explicou que não era nada disso, era apenas um calo no pé.

E assim foi aquela semana modernista de três dias, que deu lugar à irreverência e à coragem dos nossos modernos artistas.

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1 Comentário

  • by Maria Luiza Pereira postado 31/05/2020 17:21

    Achei muito enteresante

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