José Bonifácio – um homem da política e das ciências

Há duzentos anos, na segunda metade de 1819, desembarcava na cidade do Rio de Janeiro José Bonifácio de Andrada e Silva, um cientista renomado, cujos trabalhos eram reconhecidos nos principais centros científicos de então. Sua intenção, ao chegar ao Brasil, era desfrutar da aposentadoria ao lado de sua família. Mas logo envolveu-se com a vida política do País, tornando-se um dos principais articuladores da nossa Independência.

Filho de uma rica família de comerciantes da cidade de Santos/SP, José Bonifácio nasceu em 13 de junho de 1763. Aos 20 anos, seguiu para Coimbra, em Portugal, para prosseguir com seus estudos.

E como ele gostava de estudar! Matriculado inicialmente nos cursos jurídicos, começou a fazer, simultaneamente, disciplinas dos cursos de matemática e filosofia. Sua vocação para a pesquisa científica logo se revelou.

Entre 1787 e 1788, formou-se em filosofia e letras jurídicas. Tudo indicava que seguiria a carreira de homem das leis. Mas, em fevereiro de 1789, tornou-se sócio livre da Academia de Ciências de Lisboa. A partir daí, sua profunda curiosidade científica o conduziria a caminhos bem diferentes.

Logo no primeiro trabalho que publicou, José Bonifácio chamou a atenção do fundador da Academia, o duque de Lafões, que lhe ofereceu a possibilidade de realizar uma longa viagem de estudos pela Europa às custas do governo português.

 Uma viagem de estudos que durou dez anos

Em Paris, estudou química e geologia; na Alemanha, fez um curso completo de orictonosia (ciência que ensina a reconhecer e distinguir os minerais e os fósseis) e outro de geognosia (ramo da geologia que estuda a parte sólida da Terra e a composição das rochas).

Em 1796, seguiu para a Suécia e a Noruega, onde fez seu grande feito científico: identificou quatro novas espécies minerais e oito novas variedades de minerais que se incluíam em espécies já conhecidas.

Em setembro de 1800, 10 anos e três meses após sua partida, José Bonifácio regressou à Portugal. Ao longo de toda a jornada, fez amigos entre os maiores cientistas da época e tornou-se membro das mais renomadas academias de ciências da Europa.

 Sem tempo para nada

Ao retornar à Portugal após sua longa viagem de estudos, José Bonifácio estava com tanto prestígio que foi nomeado para dezenas de cargos de comando nas áreas magisterial, científica, técnica, administrativa e fiscal. Ele bem que tentava cumprir todas as tarefas que lhe foram atribuídas, mas era muito difícil dar conta de tudo.  Faltava tempo para dedicar-se às atividades com a atenção que gostaria; a burocracia e a falta de recursos também atrapalhavam. Lutar contra tantos obstáculos durante anos seguidos era exaustivo, e ele começou a pensar em voltar ao Brasil.

Por anos seguidos, José Bonifácio requereu sua aposentadoria. Ela finalmente foi concedida no final de 1818.

Descansar? Que nada!

De volta ao Brasil, em 1819, tudo que José Bonifácio queria era descansar. Mas foi convencido pelos irmãos a disputar as eleições pela província de São Paulo. Não deu outra: tornou-se líder político e iniciou sua participação decisiva na história do nosso país.

Inicialmente, José Bonifácio não via a Independência com bons olhos. Para ele, o Brasil deveria continuar fazendo parte de Portugal, mas como reino autônomo, com leis e administração próprias. Sua preocupação era que as províncias brasileiras se desagregassem, caso não houvesse um elemento central – um rei – para uni-las.

No entanto, ao saber das intenções dos deputados constituintes portugueses de fazer o Brasil voltar à condição de colônia, José Bonifácio se enfureceu. Isso, nunca! Ele então começou a se articular com as outras províncias do País, semeando a ideia de uma nação independente, sob a regência de Dom Pedro.

Em 17 de janeiro de 1822, representando a província de São Paulo, José Bonifácio chegou ao Rio de Janeiro. Lá, conheceu Dom Pedro, o príncipe regente, de quem se tornou o principal ministro. E, também, Dona Leopoldina, com quem teve afinidade imediata: além de compartilharem a visão política, tinham o mesmo interesse por artes e ciências.

Enquanto Dom Pedro viajava a São Paulo, José Bonifácio e a princesa Leopoldina realizaram a reunião do Conselho de Estado que, em 2 de setembro de 1822, deliberou pela Independência do Brasil. É isso mesmo – o decreto de Independência foi assinado 5 dias antes da data oficial, que é comemorada no 7 de setembro!

Um homem à frente de seu tempo

José Bonifácio sonhava com um Brasil moderno e civilizado. Ele era a favor da preservação das florestas, do fim gradual da escravidão, da integração dos índios à sociedade, da reforma agrária, do povoamento dos sertões, da criação de uma capital no interior do País.

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