Automutilação – quando ferir-se é um pedido de ajuda

Fundo escuro em tons de roxo. No centro, uma menina loira com expressão de tristeza e dor tenta esconder com a mão cortes no outro antebraço.

Machucar-se por querer – esse comportamento tem nome: Autolesão Não Suicida (ASIS), mais conhecida como automutilação. E, infelizmente, vem ganhando espaço entre os adolescentes. Consiste na pessoa provocar, de maneira consciente, ativa, qualquer tipo de ferimento, lesão ou machucado, deixando marcas ou não, sendo visível ou não, sem a intenção de interromper a própria vida, apesar de às vezes estar associada a comportamentos suicidas.

Um ato com muitos significados

De acordo com a psicóloga Larissa Tavira, esse ato pode, sim, ser cometido por alguém com a intenção de tirar a própria vida. Mas pode ter muitos outras motivações. “A pessoa tenta transportar uma dor emocional, que é muito impalpável, em uma dor física, está tão desesperado que se machuca para sentir uma outra dor. Como pode ter o significado de autopunição por culpa, pode ter o desejo de conseguir comunicar ao outro, chocar o outro, mostrar para o outro que precisa de ajuda. Pode ter muitos significados, pode ser tudo isso junto. Cada caso precisa ser olhado sempre com atenção”, recomenda.

A especialista ressalta que o mais importante é entender que a automutilação é sempre um pedido de ajuda. “A pessoa que tenta chamar atenção se machucando, falando que vai se matar, mesmo que não tenha coragem suficiente, já está anunciando para o mundo: eu não tenho recursos, não tenho condições de lidar com meus problemas, essa é a melhor forma que encontrei, eu preciso de ajuda”, alerta Larissa Tavira.

Procurando ajuda

Oferecer uma escuta atenta é algo que pais e educadores podem e devem fazer, inclusive para conseguir encaminhar o jovem a algum serviço especializado em saúde mental.

O Centro de Valorização à Vida (CVV) oferece atendimento especializado gratuito durante 24 horas por dia, 7 dias por semana para pessoas que desejem falar sobre seus sentimentos. A ligação gratuita é pelo número 188.

Na rede pública, os serviços de atendimento em saúde mental são organizados em RAPS – Rede de Atendimento Psicosocial – composta pelos Serviços de Atenção Básica (Postos de Saúde, Programa de Saúde da Família), Serviços de Emergência (Hospitais, UPAs, SAMU) e serviços específicos, como ambulatórios especializados e os CAPS – Centros de Atenção Psicossocial.

Psicólogos e psiquiatras podem fazer o diagnóstico e indicar o melhor tratamento para cada situação. É importante vencer a resistência e o estigma de buscar esses profissionais para o acompanhamento necessário.

Todos esses serviços são complementares e podem realmente fazer a diferença na vida de alguém.

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