Trabalhando o tema “diversidade étnico-racial”

Fundo verde. Cinco crianças de mãos dadas em roda. Do lado esquerdo da imagem está um menino de pele clara, cabelo castanho. Do lado dele, uma menina de cabelos louros e cacheados. Ela dá a mão para uma menina de pele mais escura e cabelos castanhos. Ao deu lado está um menino de pele clara e olhos azuis, que está de mão dada com um menino de pele escura e sem cabelos na cabeça.

A sala de aula é, frequentemente, o principal espaço de convivência de crianças e jovens com pessoas de origem e cor diferentes da sua. Naturalmente, é também o espaço onde primeiro afloram dúvidas e ideias preconcebidas relativas a raças e etnias.

Cabe, portanto, ao educador estar preparado para responder a questionamentos, acolher sofrimentos, promover a reflexão e a empatia, fazendo da escola um lugar onde as diferenças são respeitadas e valorizadas.
Vale destacar que este aprendizado está alinhado às competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com destaque para:

6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

Público-alvo: Estudantes do segundo ciclo do ensino fundamental (do 5º ao 9º ano)

Disciplinas trabalhadas: O tema pode ser trabalhado de forma interdisciplinar e transversal nas disciplinas de Geografia, História, Língua Portuguesa e Artes.

Objetivos: Capacitar os estudantes a questionar ideias preconcebidas relacionadas a cor e raça; estimular o respeito e a valorização da diversidade étnico-racial.

Atividades propostas

Propomos cinco encontros de 40 minutos, cada.

Encontro 1: “Identificação”

O professor fala aos estudantes sobre a formação do povo brasileiro – as raças/etnias que o compõem (indígenas, brancos, negros e amarelos). Em seguida, pede aos estudantes que se auto-identifiquem com uma ou mais raças/etnias, anotando sua resposta em uma folha de papel, sem revelar aos demais.

No momento seguinte, a turma tenta adivinhar com qual(is) raça(s)/etnia(s) cada colega se identificou (após os palpites de todos, o estudante revela a sua resposta e explica as características que o levaram a se encaixar naquela raça/etnia).

Ao final, o professor divide a turma de acordo com a auto-identificação de cada estudante e promove uma reflexão: quantos são brancos? E negros? E indígenas? E amarelos? Esta é uma turma diversa? Por que sim (ou por que não)?

Encontro 2: “Radar ligado”

Os estudantes serão divididos em quatro grupos. Cada grupo terá como objeto de discussão uma raça/etnia: negros/pardos, brancos, amarelos, indígenas.

Os estudantes devem refletir sobre estereótipos. O que se costuma falar sobre as pessoas dessa raça/etnia? De que forma elas são retratadas no cinema, na televisão, nas séries, nos desenhos animados, na publicidade? Há brinquedos que a representem?

Para o próximo encontro, os estudantes devem pesquisar na internet casos de discriminação, buscando identificar a que raça/etnia estão relacionados.

Encontro 3: “Desconstrução”

No quadro negro, os estudantes devem relacionar os casos de racismo que pesquisaram de acordo com a raça/etnia das vítimas. Em seguida, devem analisar: qual raça/etnia apresenta mais casos de discriminação? Qual apresenta menos casos?

Os estudantes devem eleger cinco casos de racismo que considerem mais marcantes. Cinco estudantes devem apresentá-los à turma.

A cada apresentação, o professor atua como provocador, questionando a turma: como imaginam que se sente quem é visto/tratado assim pelas outras pessoas? Que oportunidades essa pessoa perde/ganha por conta dessa imagem? Essa imagem a expõe a algum risco?

Ao final do encontro, o professor dá aos estudantes a missão de escolher um dos casos e escrever um texto sobre ele em primeira pessoa, colocando-se no lugar da vítima do racismo: “como é sentir o preconceito na pele”. Quem quiser poderá expor seu texto aos colegas na aula seguinte.

Encontro 4: “Ressignificação”

Os estudantes que desejarem poderão apresentar seu texto aos colegas lendo-o em voz alta. Toda apresentação deve ser acolhida e valorizada pela turma.

Terminadas as apresentações, os estudantes devem dividir-se em três grupos. Cada grupo cuidará de um tema de pesquisa:

Contribuições que as raças/etnias trouxeram às artes, cultura e costumes;
Cientistas, intelectuais e personagens históricos que não receberam destaque por conta da cor de sua pele;
Personalidades atuais que têm se destacado positivamente na criação de uma cultura de valorização da diversidade étnico-racial.

Encontro 5: “Consolidação”

Neste último encontro, os estudantes transformarão em cartazes o resultado de suas pesquisas. Ao final, os cartazes comporão uma exposição que poderá ser visitada por toda a comunidade escolar.

Critérios de avaliação: Convidar os estudantes para avaliarem as atividades – se as viram como uma oportunidade de refletir criticamente e rever conceitos.

Material necessário: Computadores ou celulares (caso a escola permita) com acesso à internet para realização de pesquisa.

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