Clara Camarão, a primeira heroína indígena do Brasil

Ilustração com fundo em tons de vermelho e, da metade da imagem para baixo, sombras de pessoas indígenas. O centro da imagem contém uma mulher de cabelos escuros, lisos, compridos e com franja. Ela usa vestido de mangas compridas em tons de bege e marrom. Segura um arco e uma flecha e carrega nas costas várias flechas de pena colorida nas pontas.

 

Clara Camarão foi uma das primeiras guerreiras do Brasil. Indígena da etnia potiguar, ela lutou e liderou uma tropa feminina contra as invasões holandesas em meados do século XVII. Infelizmente, como é comum na biografia de muitas mulheres, suas realizações quase não contam com registros históricos. Ainda assim, a bravura de Clara Camarão levou seu nome a ser inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, que homenageia personalidades que tiveram papel fundamental na construção do Brasil.

Ela nasceu no Rio Grande do Norte e recebeu o nome Maria Clara dos padres jesuítas – daí o fato de ser citada pelos estudiosos tanto como Maria quanto Clara. Já o sobrenome veio do marido, o indígena Poti, que também foi batizado e catequizado pelos religiosos e ficou conhecido como Antônio Felipe Camarão.

Montada em seu cavalo, com espada em punho, Clara acompanhou Felipe no enfrentamento aos holandeses em diversas batalhas. Sua primeira missão oficial, liderando suas companheiras, foi a escolta de famílias que buscaram refúgio na cidade alagoana de Porto Calvo, na década de 1630. Vale lembrar que toda a região era palco de fortes conflitos entre holandeses e luso-brasileiros.

Em 1646, quando os holandeses souberam que as tropas lideradas por Felipe Camarão tinham sido convocadas para proteger Salvador (BA), tentaram invadir o povoado de Tejucupapo (hoje um distrito de Goiana, em Pernambuco). Mas eles não esperavam encontrar uma forte resistência feminina. Com arcos, tacapes (pequenas espadas de madeira), lanças, muita força e excelente pontaria, a tropa de Clara Camarão ainda contou com uma arma inesperada. As mulheres ferveram tonéis de água com pimenta! Levado pelo vento, o vapor desnorteou o exército holandês. Também atacados com a água fervente, os homens foram vencidos pelas guerreiras! Esse feito fez com que elas fossem convocadas para um dos maiores confrontos contra os holandeses, a primeira Batalha dos Guararapes (1648).

A impressionante tropa que ela liderou ficou conhecida como “As Heroínas do Tejucupapo”. Desde 1993, naquele mesmo povoado, todos os anos um grupo de mulheres encena essa batalha, como forma de preservar a memória daquelas guerreiras que lutaram não só contra os invasores, mas também contra o preconceito.

Por sua liderança, Clara Camarão recebeu o título de “Dona”, oferecido pelo rei Filipe IV a membros da alta nobreza e grandes chefes militares. Além de ser uma heroína da Pátria, a indígena nomeia uma refinaria de petróleo em Guamaré (RN). Foi a primeira refinaria do Brasil a receber o nome de uma mulher.

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2 Comentário(s)

  • by Matheus postado 28/04/2021 11:47

    ;-;

    • by Turma do Plenarinho postado 28/04/2021 14:18

      _o_

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