Beatriz Nascimento

Durante muito tempo, a história das pessoas negras escravizadas no Brasil foi associada apenas a sofrimento, opressão e submissão. Mas alguns pesquisadores começaram a questionar essa forma de contar o passado. Entre eles, destacou-se uma mulher: a historiadora e ativista Beatriz Nascimento.

Maria Beatriz Nascimento nasceu em Aracaju, no dia 12 de julho de 1942. Ela era a oitava entre dez irmãos, filhos da dona de casa Rubina e do pedreiro Francisco. Quando tinha sete anos, ela se mudou com a família para o bairro de Cordovil, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

O despertar do ativismo

Beatriz cursou História na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre 1968 e 1971. Foi nessa época que ela começou a pesquisar a história da população negra no Brasil de um jeito diferente. Em vez de abordar apenas a dor das pessoas escravizadas, ela se aprofundou no estudo do protagonismo negro e da luta pela liberdade e preservação da cultura e da identidade africanas.

Um dos temas que mais interessavam Beatriz eram os quilombos – comunidades formadas por pessoas que fugiam da escravidão. Ela mostrou que esses espaços eram muito mais do que esconderijos: eram lugares de organização, resistência e construção de novas formas de viver em comunidade. Beatriz também comparou essas comunidades com algumas formas atuais de organização da população negra, como as favelas.

Uma história de luta interrompida

Depois de se formar, ela passou a dar aulas de História na rede estadual de ensino e continuou participando de pesquisas e debates sobre questões raciais. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), enquanto fazia pós-graduação em História do Brasil, ajudou a criar o Grupo de Trabalho André Rebouças (GTAR), um dos primeiros grupos de estudantes negros dentro de uma universidade brasileira.

Beatriz participou de muitos encontros, simpósios e seminários, escreveu artigos e poesias e teve um papel importante na reorganização dos movimentos negros no Brasil. Ela também foi narradora e protagonista do documentário Orí, da cineasta Raquel Gerber, que fala sobre a história e a identidade da população negra no País.

Enquanto começava um mestrado em Comunicação Social na UFRJ, Beatriz aconselhou uma amiga que sofria violência do companheiro a terminar o relacionamento. Em 28 de janeiro de 1995, ela foi assassinada por esse homem.

Reconhecimento e legado

Hoje, o pensamento de Beatriz Nascimento vem sendo cada vez mais reconhecido por pesquisadores e estudiosos. Como reconhecimento por sua contribuição na luta pelas comunidades quilombolas, pela mulher negra e contra o racismo, foi inscrita no Livro de Aço dos Heróis e Heroínas da Pátria em 2023.

Que a coragem de Beatriz continue a nos inspirar a questionar velhas ideias e a entender que a história pode – e deve – ser vista por diferentes pontos de vista.

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