Dizem que proteger o meio ambiente é plantar as sementes de um futuro melhor. Poucas pessoas levaram isso tão a sério quanto a agrônoma e ambientalista Maria Tereza Jorge Pádua.
Tereza nasceu em São José do Rio Pardo (SP), em 8 de maio de 1943, e desde menina é fascinada pela natureza. Pertinho do sítio dos avós, havia uma área de mata atlântica preservada onde corria um riozinho, ótimo para nadar e pescar. Para ela, não havia diversão maior do que estar ali!
Mas, por incrível que pareça, foi um livro que selou o seu destino. Quando leu “Os sertões”, de Euclides da Cunha, Tereza teve certeza de que cuidar do meio ambiente era o seu caminho.
Em 1962, ingressou na Universidade Federal de Lavras/MG para estudar Ciências Agronômicas. Ela era uma das únicas quatro mulheres do curso, e a única que encarou as aulas práticas. Arregaçou as mangas e fez de tudo no campo: pilotou trator e até avião monomotor. Por sinal, pilotava tão bem que deu aulas por três meses em um curso de aviação.
Dois anos depois de formada, em 1968, começou a trabalhar no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), um dos órgãos que mais tarde dariam origem ao IBAMA. Ali, aos 25 anos, tornou-se chefe da Seção de Parques Nacionais. Começava a jornada que a fez ganhar o apelido de “Mãe dos Parques Nacionais”.
Quando chegou ao IBDF, o Brasil tinha apenas 15 unidades de conservação federais, e o sistema de proteção integral ainda era bastante limitado. Com muito trabalho duro, Tereza conseguiu implantar um sistema moderno de unidades de conservação no País. Em apenas 14 anos, o número dessas áreas chegou a 63: 14 de uso sustentável e 49 de proteção integral!
Há mais de 50 anos, Tereza atua em diferentes frentes, dentro e fora de instituições públicas, sem nunca perder o foco na preservação ambiental. Uma de suas iniciativas mais importantes foi a criação da Fundação Pró-Natureza (Funatura), a segunda organização não governamental dedicada à defesa do meio ambiente no Brasil. Ali, ela ajudou a criar as primeiras Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e levou suas reivindicações à Assembleia Nacional Constituinte, contribuindo para a inclusão do artigo 225 na Constituição Federal:
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Seu legado para o Brasil é imenso. São mais de 8 milhões de hectares de unidades de conservação, incluindo as Reservas Biológicas de Trombetas, da Chapada Diamantina e do Atol das Rocas. Já ouviu falar dos projetos Tamar e Peixe-boi? Tereza também participou da criação deles.
Reconhecida internacionalmente por seu trabalho incansável, ela recebeu importantes premiações, entre elas:
- 1981 – Prêmio J. Paul Getty de Liderança em Conservação
- 1999 – VI Prêmio Henry Ford de Conservação da Natureza
- 2008 – Prêmio Fred Packard, para pessoas que se destacam pelos serviços prestados a áreas protegidas
- 2016 – Medalha John C. Phillips, por seu trabalho em prol da conservação (ela foi a segunda mulher do mundo a receber, e a primeira pessoa no Brasil!)
Também recebeu homenagens vindas diretamente da natureza. Seu nome foi dado a uma orquídea (Laelia purpurata Maria Tereza), uma espécie de escorpião encontrado no Parque do Araguaia (Ananteria mariatereza), a um sapinho-da-montanha (Brachycephalus mariaterezae) e à Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Maria Tereza Jorge Pádua, no cerrado mineiro.
Que a trajetória de Tereza continue espalhando sementes de inspiração entre leitores e leitoras de todas as idades!
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