Os primeiros dias do Brasil?

Ilustração. Zé Plenarinho e Ana Légis abraçam um menino indígena. Os três pisam sobre o desenho do mapa do Brasil verde-claro. Em volta do mapa do Brasil, desenho, em marrom, do mapa de outros países e continentes, de onde saem setas coloridas que apontam para o mapa verde.

Era uma quarta-feira, dia 22 de abril de 1500, quando o almirante português Pedro Álvares Cabral chegou com sua esquadra à terra onde viviam os índios Tupiniquim. Na língua deles, o lugar chamava-se Pindorama, Terra das Palmeiras. O primeiro encontro entre portugueses e índios foi marcado pela curiosidade dos dois povos que não se conheciam.

“Os portugueses estavam vestidos, usavam barbas, tinham armas de fogo e ferro e já haviam encontrado e conquistado vários povos e várias terras. Seu objetivo era conquistar a Índia, mas eles aproveitaram para tomar posse do novo território e incluí-lo em seu vasto império ultramarino”, diz o jornalista e escritor Eduardo Bueno, em Brasil: Terra à Vista – A Aventura Ilustrada do Descobrimento.

Havia um grande contraste: “Os Tupiniquim estavam nus, raspavam os pelos e usavam armas de pau e pedra. Com elas haviam conquistado aquelas praias ensolaradas, expulsando para o sertão os antigos senhores da costa, os Tapuia”.

Por que Ilha Brasil?

O Brasil não tem esse nome somente por causa do pau-brasil, aquela árvore também conhecida como pau-de-tinta, usada para tingir tecidos. É o que conta o jornalista Eduardo Bueno.

“A palavra ‘brasil’ é repleta de significados – e muito mais antiga que o nome da árvore. De fato, uma das tantas ilhas mitológicas espalhadas pelo Mar Tenebroso se chamava Hy Brazil. Era um território lendário, associado à trajetória de São Brandão, místico irlandês que, no ano 565 da era cristã, tinha partido para o oceano em busca de uma terra sem males. Depois de terrível peregrinação náutica, o religioso enfim chegou a uma ilha ‘movediça, ressoante de sinos sobre o velho mar’. Batizou-a de Hy Brazil, a Terra da Bem-Aventurança. Brazil provém da palavra celta bress, origem do inglês bless – que quer dizer abençoar”, conta o escritor.

O que contou Caminha

Para contar as novidades da nova terra, o escrivão Pero Vaz de Caminha escreveu carta ao rei de Portugal, Dom Manuel I, o Venturoso. Essa carta que descreve as belezas naturais da terra descoberta é chamada por historiadores de certidão de nascimento do Brasil. Vale a pena dar uma lida nela com atenção. Há muitas palavras difíceis, mas o desafio fica ainda mais divertido. Use um bom dicionário.

Confira aqui o texto integral da carta de Caminha.

Primeiros dias mesmo?

Há quem não concorde que a chegada dos portugueses marque o início da história do Brasil e, no lugar do termo descobrimento, recomenda o uso do termo achamento. Esta discussão justifica-se porque, por aqui, muito antes de Cabral, já viviam diferentes povos indígenas. Mesmo entre os europeus, ele não foi pioneiro em nosso território. O navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón fez a primeira viagem comprovada ao território brasileiro, tendo desembarcado no litoral de Pernambuco, no dia 26 de janeiro de 1500.

Uma prova da antiguidade da presença indígena nas nossas terras são, ainda da época da pré-história, pinturas rupestres preservadas no Parque Nacional da Capivara, no Piauí. O parque é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Concentra a maior parte dos sítios arqueológicos e com os registros mais antigos do continente americano, de 50 mil anos atrás. Lá, está a maior quantidade de pinturas rupestres do mundo.

Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura "plenarinho.leg.br - Câmara dos Deputados" e não seja para fins político-partidários

Comente!

Seu endereço de email não vai ser publicado. Campos marcados com * são exigidos