Suassuna: defensor da cultura nacional

A ilustração, sobre fundo verde, mostra Ariano Suassuna no centro. Ele aparece dos ombros para cima. É um senhor magro, calvo no topo da cabeça e com cabelos grisalhos dos lados. As sobrancelhas também são grisalhas sobre os olhos castanhos. Ele tem algumas rugas pelo rosto, nariz grande e sorriso leve. Sua roupa é um paletó azul sobre camisa branca.

No dia 16 de junho de 1927 nasceu o escritor Ariano Suassuna, um escritor que merece a homenagem do povo brasileiro. Por quê? É que esse importante autor e pensador foi um dos maiores defensores da nossa cultura.

Vamos conhecê-lo?

Ariano Suassuna nasceu em João Pessoa, na Paraíba, em 1927. Seu nascimento causou um enorme entra-e-sai em frente ao palácio do governador do estado. Isso porque o pai dele, João Suassuna, era o governador da Paraíba.

Aos três anos de idade, Ariano perdeu o pai, o qual foi assassinado no Rio de Janeiro. Com medo dos assassinos do marido, a mãe de Ariano mudou de cidade, levando o menino e seus oito irmãos para um município chamado Taperoá, no interior da Paraíba. Lá, o futuro escritor passou boa parte de sua infância e conheceu a vida no sertão, que mais tarde serviria de inspiração para suas obras.

Os primeiros passos como escritor

Durante a adolescência, Ariano se mudou para Recife, Pernambuco, e, com apenas 18 anos, teve seu poema “Noturno” publicado no Jornal do Commercio do Recife. A partir daí, começou a grande carreira literária de Ariano Suassuna.

Na faculdade de Direito, Ariano entrou para o Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP). O grupo do TEP queria que a cultura brasileira fosse valorizada, e essa idéia de retratar a vida do nosso país é uma constante na obra de Suassuna.

O Auto da Compadecida

Em 1947, Ariano escreveu sua primeira peça de teatro, chamada “Uma mulher vestida de Sol”. Até 1955, Suassuna fez dramas e algumas comédias. Sua peça mais famosa, “O Auto da Compadecida”, é uma comédia engraçadíssima, que tornou Ariano Suassuna conhecido em todo o Brasil. A obra já virou até filme!

“O Auto da Compadecida”, encenada pela primeira vez em 1956, em Recife, destaca problemas e situações particulares da cultura do Nordeste do Brasil. A comédia apresenta elementos da tradição da literatura de cordel, com traços do barroco católico brasileiro, misturando cultura popular e tradição religiosa. Você deve se lembrar dos personagens principais, João Grilo e Chicó.

Movimento Armorial

A turma do Plenarinho brinca de boi-bumbáAriano, que é um orador fantástico, capaz de encantar multidões com suas aulas e palestras, apóia com paixão as manifestações culturais populares. Foi ele quem lançou o Movimento Armorial, um movimento que mistura pintura, música, literatura, cerâmica, dança, escultura, tapeçaria, arquitetura, teatro, gravura e cinema.

Armorial é o conjunto de distintivos, brasões, estandartes e bandeiras de um povo, sabe? E esses símbolos são muito populares, estão bem lá nas raízes culturais brasileiras. A Arte Armorial dá uma grande importância aos folhetos do romanceiro popular nordestino (a chamada literatura de cordel), por achar que neles se encontra a fonte de uma arte e uma literatura que expressa os desejos e o espírito do povo brasileiro, além de reunir três formas de arte: as narrativas de sua poesia; a xilogravura, que ilustra suas capas; e a música, através do canto dos seus versos, acompanhada pelos instrumentos viola ou rabeca.

São também importantes para o Movimento Armorial: os espetáculos populares do Nordeste, encenados ao ar livre, com personagens míticos, cantos, roupagens de príncipes feitas a partir de farrapos, músicas, animais misteriosos como o boi e o cavalo-marinho do bumba-meu-boi. O mamulengo ou teatro de bonecos nordestino também é uma fonte de inspiração para o Movimento, que procura, além do teatro traducional, um modo brasileiro de encenar e representar.

Para sempre Suassuna

Você sabe o que é um Imortal da Academia Brasileira de Letras? O título é dado a grandes escritores do nosso país, e é claro que Ariano Suassuna não poderia ficar fora dessa, né? O escritor recebeu o título em 1990, por conta da sua enorme contribuição para a cultura do nosso país.

Suassuna já foi professor, advogado, filósofo, autor de peças teatrais e poemas, foi secretário da cultura e muito mais. Ganhou vários prêmios. Seu romance “A Pedra do Reino”, quando foi relançado, esgotou-se em menos de um mês! Suassuna, de tão importante, foi até tema de enredo da escola de samba Mancha Verde, de São Paulo.

Adeus a Suassuna

Ariano Suassuna nos deixou em 2014.

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2 Comentário(s)

  • by Silvio Anicheli postado 28/07/2019 22:12

    Oĺa tenho uma ideia de escrever um livro . Um livro da minha vida algo que seria um filme escrito. Preciso ter um tipo de comunicação para dar opinião de seria perca de tempo ou filme por favor sei que ele não gosta de tecnologia preciso de alguma forma falar com ele.

    • by Turma do Plenarinho postado 29/07/2019 07:41

      Olá, Sílvio! Infelizmente, Ariano Suassuna já faleceu. 🙁

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