Boi, a estrela do folclore brasileiro

O boi é um personagem muito próximo do brasileiro, principalmente nas áreas rurais. Participando do dia-a-dia do brasileiro de uma forma tão intensa, que o boi passou a fazer parte também da imaginação do nosso povo.

E olha que a nossa imaginação é grande! Foi ela quem criou uma história e um dos grandes folguedos (brincadeiras, divertimentos) da nossa cultura: o bumba-meu-boi. Tá a fim de conhecer a história que deu origem a esse folguedo? Então, prepare-se!

Um boi foi comprado para a festa de aniversário da esposa de um fazendeiro. Nessa fazenda trabalhavam os negros Francisco, o Chico, e sua mulher Catarina. Catarina estava grávida e com desejo de comer língua de boi. Chico então resolveu procurar um. E matou o boi mais bonito, mais forte e mais caro da fazenda do patrão para agradar a esposa. O problema foi que o rico fazendeiro descobriu o que aconteceu e mandou prender Francisco.

Todos saíram à procura de um pajé (o médico dos índios) para ressuscitar o boi e salvar a pele de Chico. Assim que o boi foi ressuscitado, todos cantaram e dançaram.

Os estudiosos do nosso folclore contam que essa história surgiu provavelmente na época do ciclo do gado, nos séculos XVII (1601 a 1700) e XVIII (1701 a 1800), quando a vida girava em torno do boi e de sua criação. Eles também explicam que a história de Francisco e Catarina, dois negros, refletem as diferenças da sociedade nos séculos anteriores e como era o relacionamento entre os escravos e os senhores, os fazendeiros.

Os bois do Brasil

Francisco e Catarina fazem parte da encenação do bumba-meu-boi que acontece de norte a sul do Brasil. Tudo bem que cada canto do nosso país tem um jeitinho de chamar o bumba-meu-boi. Na região Centro-oeste, ele é chamado de boi-a-serra; no sul, e principalmente em Santa Catarina, ele é o boi-de-mamão. E no Norte, lá no Pará e no Amazonas, o pessoal festeja o boi-bumbá.

Os folguedos do bumba-meu-boi na região Nordeste acontecem tradicionalmente entre o dia do Natal (25 de dezembro) e o dia de Reis (6 de janeiro). Mas no Maranhão, um estado nordestino, e nos estados do Norte, eles ocorrem principalmente durante as festas juninas. Lá no Maranhão a festa é levada a sério. Em junho, as ruas de São Luís ficam cheias de bois coloridos, feitos de madeira ou de papel machê.

O nome pode até ser diferente; a data pode variar, mas a brincadeira e a alegria são as mesmas em qualquer lugar. O desenrolar da história dos três personagens é sempre acompanhado por instrumentos musicais como zabumba, pandeirão, matracas, maracas, cuíca, caixa, sanfona e cavaquinho.

O boi é feito de uma armação coberta por um tecido bordado e enfeitado de miçangas, fitas coloridas, lantejoulas, penas e palhas. Dentro dele, uma pessoa pula e dança no meio da multidão. Em torno do boi – elemento principal da brincadeira – surgem personagens como o prefeito, o doutor, os índios ou caboclos, além de outros personagens fantasiados de diversos animais.

A festa de Parintins

Há um lugar especial no Brasil onde o folguedo do boi-bumbá se transformou num verdadeiro espetáculo. Estamos falando de Parintins, a 420 km de Manaus, capital do Amazonas. Lá o negócio é tão profissional que a festa, realizada entre os dias 28 e 30 de julho, acontece no bumbódromo (como no carnaval do Rio de Janeiro que as escolas de samba se apresentam no Sambódromo). Cerca de 35 mil pessoas (uau!) vão todos anos torcer por um dos boi da festa – o Garantido e o Caprichoso.

Isso mesmo, lá em Parintins os bois Garantido (vermelho) e Caprichoso (azul) disputam a preferência do público. E para ganhar, eles não poupam esforços. Durante três horas, cada um deles desfila seus bonecos gigantes, que representam os personagens da trama. E haja alegria para ganhar o público. Em Parintins, as lendas indígenas se misturaram à tradição do bumba-meu-boi. Por isso, durante o festival folclórico, a cidade é chamada de “ilha Tupinambarana”.

Por que Garantido e Caprichoso?

A explicação para a origem dos nomes dos bois, Garantido e Caprichoso? Vem da história de um amor proibido que o poeta Emídio Vieira cultivou pela mulher do repentista Lindolfo Monteverde. Os dois rapazes adoravam a brincadeira do boi-bumbá e todo ano apresentavam seus bois.

Como não podia namorar a mulher de Monteverde, Emídio lançou o desafio: “Se cuide que este ano eu vou caprichar no meu boi”. Aí o repentista respondeu: “Pois capriche no seu que eu garanto o meu”. A rivalidade cresceu entre os dois e, a cada ano, um queria fazer um boi mais bonito que o outro.

Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura "plenarinho.leg.br - Câmara dos Deputados" e não seja para fins político-partidários

Comente!

Seu endereço de email não vai ser publicado. Campos marcados com * são exigidos