Viva o Carnaval

Ilustração da Turma do Plenarinho em frente a um fundo verde cheio de bolinhas coloridas espalhadas. Todos da Turma estão fantasiados: Adão veste roupa de pirata, Cida de chapeuzinho vermelho, Xereta fantasiada de abelha, Zé Plenarinho está vestido de Super-homem. Vital é um mágico que tira Edu coruja de coelho da cartola e Ana Légis vestida de palhaça ri dessa cena.

No Brasil,o carnaval toma conta do país de norte a sul. São poucos os que resistem ao som dos trios elétricos, surdos, pandeiros, cuícas e tamborins. É puro samba no pé! Então, que tal saber um pouquinho mais sobre as origens dessa festa tão alegre? Então, abram alas que a Turma do Plenarinho vai passar…contando a história do carnaval!

As origens do Carnaval

Das antigas marchinhas de carnaval (músicas curtas e divertidas) até os trios elétricos de hoje, correu muita água debaixo da ponte. É verdade! Tudo começou há muito, mas muito tempo. Segundo a pesquisadora Claudia M. de Assis Rocha Lima, dez mil anos antes de Cristo, homens, mulheres e crianças já se reuniam no verão com os rostos mascarados e os corpos pintados para espantar os demônios da má colheita.

Outras versões contam que por volta do século 14 antes de Cristo, os gregos caiam na folia para adorar o deus Dionísio, que era o símbolo do entusiasmo e da transformação! Em matéria publicada na revista CHC, Rafael Barros revela que a imagem de Dionísio desfilava todos os anos na Grécia, no início da primavera, em um tipo de carro sem motor chamado “carrum navalis“, nome em latim que pode ter originado o nome “carnaval”.

Era com esse carro meio parecido com os carros alegóricos de hoje, que os romanos abriam seus festejos. Mas tem também a palavra “carnelevale”, que significa “adeus à carne” no dialeto (alteração regional de uma língua) milanês. Adeus à carne por conta do início da quaresma cristã. Ôpa! Quaresma cristã? O que é isso?

Vamos lá: depois dos quatro dias de folia vem a quarta-feira de cinzas. É a partir deste dia que começa a quaresma cristã, um período de quarenta dias que dura até o domingo mais “achocolatado” do ano: o domingo de Páscoa. Ah! a palavra Páscoa vem do hebraico Pessach, que significa ressurreição, vida nova. Esses 40 dias para os católicos são dias de muita oração e jejum, pois acreditam ser necessários para “santificar” o espírito.

O carnaval no Brasil

Vários livros sobre a história do carnaval contam que a festa da folia chegou ao Brasil por volta de 1720. Já outros autores dizem que foi, provavelmente, no século XVII.

Em artigo da pesquisadora Claudia M. de Assis Rocha Lima, publicado pela Fundação Joaquim Nabuco, o carnaval foi introduzido no Brasil pelos portugueses, em 1723, com o nome de entrudo, uma festa com loucas correrias, mela-mela de farinha e água com limão.

Só depois, vieram os confetes e as serpentinas. Entretanto, como essa festa surgiu muitos séculos atrás e está cercada de lendas e histórias, é sempre difícil se ter certeza sobre datas. Mas sobre as brincadeiras, não há dúvidas, pois até os dias de hoje rolam confetes, serpentinas e o maior mela-mela pelas ruas, principalmente, nas cidades do Nordeste.

O carnaval nas capitais

No nosso país, hoje conhecido ao redor do mundo como o país do carnaval, a festa começa num sábado e vai até terça-feira. Mas os baianos, festeiros que só, acabaram “esticando” os dias de folia quando inventaram as micaretas.

A pesquisadora Cláudia descobriu que as micaretas (hoje conhecidas como carnaval fora de época) nasceram de uma festa realizada na quinta-feira da terceira semana da Quaresma, com direito a fantasias e trios elétricos.

Com o passar do tempo, as micaretas se tornaram as festas mais famosas dos estados brasileiros. E foram as características dessa festa bem baiana que divulgaram o carnaval de Salvador, hoje um dos mais disputados pelos foliões do Brasil e outros países.

As micarês fazem o maior sucesso durante o ano todo: em Fortaleza, chama-se Fortal; em Natal, o Carnatal; em João Pessoa, a Micaroa; em Campina Grande, a Micarande; em Maceió, o Carnaval Fest; em Caruaru, o Micarú; em Recife, o Recifolia; em Brasília, a Micarecandanga, etc.

Escola de samba

Nas outras capitais brasileiras, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, todos nós sabemos que “quem manda” é o samba das escolas. Sabe como elas surgiram? Em 1846, um grupo dos foliões com bombos e tambores, comandados por um português chamado Zé Pereira, saiu às ruas nos dias de carnaval fazendo o maior barulho. Com esse grupo, nasceu a primeira música de carnaval.

Depois, vieram as sociedades carnavalescas, blocos e o corso, que desfilavam de carros pelas ruas da cidade, todos de capota abaixada, com foliões fantasiados atirando confetes e serpentinas uns nos outros. Em 1929, foi fundada a primeira escola de samba (Deixa Falar), no bairro carioca do Estácio, seguida de várias outras, no Rio de Janeiro e em outros estados. Você torce por alguma escola de samba? Conte-nos!

As músicas

Até o fim do século XIX os foliões dançavam e cantavam as marchinhas anônimas nas ruas, ao som de bandas. A partir de Abre-Alas (1899), da maestrina Chiquinha Gonzaga, a festa passou a contar com músicas feitas especialmente pra a ocasião do carnaval. São elas: marcha-rancho, o samba, a marchinha, o samba-enredo e o frevo, além da batucada. Escolas de samba.

As regras

No início, as escolas desfilaram sem caráter oficial, ou seja, sem regras ou competições. Em 1932, a Mangueira ganhou o primeiro concurso. A partir da década de 50, as escolas de samba criaram normas para os desfiles que, de maneira geral, se mantêm até hoje.

No Rio de janeiro, as escolas estão divididas em grupos: primeiro e segundo. Os dois desfilam na Avenida Marquês de Sapucaí, na Passarela do Samba (também chamada Sambódromo), inaugurada em 1984 (projeto de Oscar Niemeyer), no domingo e na terça-feira. Em São Paulo, as escolas, também são divididas em dois grupos e desfilam no Sambódromo do Anhembi.

Reportagem publicada originalmente em fevereiro de 2008

Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura "plenarinho.leg.br - Câmara dos Deputados" e não seja para fins político-partidários

Comente!

Seu endereço de email não vai ser publicado. Campos marcados com * são exigidos