Futebol feminino no Brasil

Poucos sabem, mas no Brasil, por quase 40 anos, houve uma lei que proibia as mulheres de praticarem esportes considerados masculinos, dentre eles o futebol. A lei que tirou as mulheres dos campos foi publicada no governo do presidente Getúlio Vargas em 1941. A proibição deixou de existir em 1979, mas o preconceito contra o futebol feminino ainda parece longe de acabar.

O futebol feminino ganhou grande destaque no ano de 2019. No entanto, ele não é novidade. A primeira partida do mundo aconteceu em 1898, em Londres, entre as equipes da Inglaterra e da Escócia. Já no Brasil, os primeiros registros de um jogo são de 1921. Mas foi na década de 1940 que a prática do esporte se popularizou entre as brasileiras.  A entrada em campo oficialmente só aconteceu em 1986, quando participaram pela primeira vez de um amistoso internacional. Neste mesmo ano, a Fédération Internationale de Football Association (FIFA) idealizou a Copa do Mundo de Futebol Feminino. O campeonato ocorreu em 1991 e a seleção vencedora foi a dos Estados Unidos.

Um abismo entre as modalidades

O Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino existe desde 2013, mas não conta com o mesmo prestígio da modalidade masculina. As partidas têm menos público, os times recebem menos investimentos, os patrocinadores são escassos. A diferença salarial entre homens e mulheres é enorme. Por isso, em muitos casos,  as jogadoras têm outra profissão além do futebol.

Elas merecem todo o nosso reconhecimento

A alagoana Marta Vieira da Silva, nossa Marta, atacante da seleção brasileira de futebol, é detentora de seis títulos de melhor jogadora do mundo, mais do que qualquer outro jogador ou jogadora deste planeta. Ela é a maior artilheira da história das Copas do Mundo de futebol, tanto masculino quanto feminino. Nenhum desses títulos foi suficiente para garantir um patrocínio de material esportivo à jogadora.

Além de Marta, Elane, Meg, Marisa, Fanta, Suzy, Sissi, Pretinha, Roseli e tantas outras jogadoras fizeram história ao vestir a camisa amarela que tanto nos orgulha. Reconhecer o valor de cada uma e de todas é fundamental para assegurar que não haja retrocessos.

Um sonho que não se realiza

Seguir carreira no futebol não é fácil para ninguém – mas entre as meninas, é ainda mais desafiador. A alagoana Maria Joyce Kelly, que nasceu em uma cidade vizinha a da craque Marta, nos contou um pouco da sua breve vida de boleira. O amor pelo futebol começou bem cedo, nos recreios da escola. Em 1993, aos 13 anos, ela e suas amigas formaram um time feminino da cidade onde moravam, no interior do estado. Os jogos, contra outras equipes de meninas da região, aconteciam em campos de várzea. A pouca torcida que havia era dos jogadores dos times masculinos, que aguardavam para usar o campo.

Joyce destacou o papel dos treinadores, que faziam de tudo pela continuidade dos times – pediam ajuda à prefeitura, aos vereadores e, até mesmo, pagavam despesas do próprio bolso. Mas, infelizmente, esse esforço não foi suficiente – como tantas outras garotas do seu time, Joyce deixou os gramados aos 18 anos para trabalhar e, assim, ajudar a mãe nas contas da casa.

Os primeiros passos de um novo caminho

Apesar de todos os obstáculos, o futebol feminino caminha a passos firmes no Brasil e no mundo. A presença de mulheres nas arquibancadas e dentro dos campos deixou de ser rara. Além de torcedoras, elas também têm marcado presença como árbitras ou auxiliares, massagistas, jornalistas esportivas e tantas outras funções.

Críticas como “jogo lento”, “inexistência de tática” ou “goleiras ruins” têm perdido espaço para o reconhecimento da qualidade técnica das nossas meninas. E você, já assistiu a uma partida de futebol feminino? Pois assista, torça e continue em campo com o futebol feminino!

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