Radionovela Trabalho Infantil

Ilustração. Fundo da imagem. Parede de azulejos em tons de bege. Armário de cozinha e pia cheia de louça para lavar. Uma louça está quebrada no chão. Ao centro da imagem, uma mulher adulta, cabelos loiros, tamanho médio, partido de lado, usa vestido verde, sem mangas e colar de bolinhas vermelhas. Ela está com a mão na cintura, cara de brava e aponta para a louça caída no chão. Na sua frente, uma menina olha para a louça com cara de medo. Suas mãos seguram a sua cabeça e cabelos. Ela usa um vestido rosa sem mangas. Tem cabelos longos, castanhos escuros.

Criança tem direito a ser criança! A infância é um tempo de brincadeira e aprendizado, e nunca de trabalho!

Nesta radionovela, a Turma do Plenarinho e a professora Josefa têm uma missão importante: livrar as crianças de uma nuvem muito malvada…

 

 

Roteiro

A Turma está chegando à escola. Xereta comenta com o Vital que um coleguinha da sala, o João Pedro, não veio para a aula:

– Vital, olha só, o João Pedro não veio. E o Zeca e a Jana também não! E justamente em dia de prova. O que será que está acontecendo com a nossa turma?

Vital responde:

– Vou perguntar à professora. Dona Josefa, cadê o resto dos alunos?

– Não sei… Não consegui falar com os pais deles… Nunca atendem os meus telefonemas…

Vital sussurra no ouvido da Xereta:

– Vamos tentar descobrir esse mistério depois da aula.

– Então tá combinado. Vamos pro Bairro Comercial? Lá tem muito movimento, de repente a gente acha alguma coisa.

Chegando lá, eles avistam o João Pedro e ficam espantados. Xereta pergunta para o Vital:

– Vital, você tá vendo o que eu tô vendo? Olha aquele menino vendendo balinha. Não é o João Pedro?

– É mesmo, Xereta! ‘bora correndo falar com ele!

Ao se aproximar do colega, Xereta pergunta:

– Ei, João Pedro, o que você está fazendo aqui? Porque não está indo pra escola?

João Pedro diz, tristemente:

– A grana lá em casa está curta… Meus pais me mandaram vir pra cá pra tentar ajudar.

Xereta não concorda.

– Mas isso não está certo. Lugar de criança não é na rua vendendo balinha, é na escola. A gente pode ir até sua casa, conversar com seus pais?

– Tudo bem, eu já estava indo embora mesmo. Já vendi minha cota por hoje.

Logo que estão chegando perto da casa do João Pedro, Xereta vê uma nuvem carregada de raios em cima dela e pergunta para o colega:

– João, aquela lá não é a sua casa? Por que tem uma nuvem carregada de raios em cima dela?

O menino responde:

– Sei lá. Hoje quando eu fui vender balinha, essa nuvem apareceu aí. Também achei estranho e estou achando mais assustador porque ela tá aí, paradinha, até agora.

Vital entra na conversa e diz:

– Vou olhar aqui na janela pra ver o que pode estar acontecendo. Ué, João, a nuvem preta também tá em cima da cabeça dos seus pais! E repara só nos olhos deles!

João Pedro responde assustado:

– Ai, meu Deus, que estranho… parece que estão hipnotizados… E estão dizendo alguma coisa, vamos ouvir…

Nesse momento, a mãe do João fala de um jeito estranho:

– Estamos sem emprego, está faltando tudo aqui em casa. Comer é mais importante do que estudar.

O pai do João, meio hipnotizado, completa:

– Isso mesmo, mulher. E tem mais: criança que trabalha fica mais esperta.

Nessa hora, o Vital empurra a porta da casa de uma vez, entra junto com a Xereta e fala com o pai de João:

– Peraí, mas criança não deve trabalhar! Isso é tarefa para os adultos!

Xereta reforça:

– Isso mesmo, se ele não estudar, o que vai ser dele no futuro? E como ser feliz, se não tem tempo nem disposição pra brincar?

Nessa hora, eles escutam um barulho de asas batendo… Xereta logo grita:

– Olhem, meninos, o Edu Coruja tá chegando! E parece todo afobado!

Edu diz:

– Eu tô afobado mesmo, porque voei demais pra encontrar vocês. Parece que descobri o mistério. Essa nuvem preta é a causa desses pais mandarem o João trabalhar. Os pais da Jana mandaram ela trabalhar como babá. E vocês não sabem do pior: a mesma nuvem preta também está em cima deles. Olhem para a cidade, vejam quantas casas estão dominadas pelas nuvens negras…

Para alívio de todos, a professora Josefa está chegando à casa do João Pedro para ajudar as crianças. E ela logo diz, muito ofegante:

– Gente, que bom que encontrei vocês. Eu estava pesquisando o sumiço das crianças e descobri que a nuvem Cúmulos Maldosus voltou a atacar, aquela exploradora…

Vital estranha e pergunta:

– Cúmulos Maldosus? Nunca ouvi falar. O que é que ela faz?

A professora Josefa explica:

– Essa nuvem terrível esvazia a cabeça dos pais e põe nela ideias erradas, principalmente contra a escola. Daí, eles ficam igual a cegos, e não percebem que os filhos estão trabalhando, e que isso não é coisa pra criança!

Ficam todos espantados e a professora dá uma ideia para enfrentar a nuvem.

– Sei de um jeito de resolver isso. Só o Cata-vento-de-Cinco-Pontas pode nos ajudar! Quando vocês o virem, vão entender. Agora temos que procurar e encontrá-lo o mais rápido possível.

Saem todos correndo em busca do Cata-vento.

Vital já está reclamando de tanto procurar:

– Ai, gente, chega… tô cansando de procurar. Não estamos achando nada de cata-vento… Peraí! Olha ali em cima daquele morro. Não é um cata-vento de cinco pontas?!!!!

E a professora responde logo:

– Isso mesmo, Vital! Mas repara só: as pontas dele estão presas no chão por raios, iguaizinhos aos raios que saem da Cúmulos Maldosus e ficam em cima da cabeça dos pais das crianças.

Surge um barulhão de raios e ventos.

Xereta logo vê que o Cata-vento está preso no chão e não tem como sair.

– Então vamos correr pra tirar ele de lá. Vamos pegar nas pontas dele.

Mas assim que Xereta pega, ela toma um choque. Os raios quase queimam a mão da Xereta e também do Vital.

A professora Josefa, que é mais alta e mais forte, vai ajudar as crianças. Juntos enfrentam os raios e libertam as pontas do Cata-vento!!

Edu Coruja logo grita:

– Ebaaaaa! Cúmulos Maldosus, seus poderes acabaram!!!!

E vem aquele barulhão de vento agitado!!

Xereta chama a atenção da turma:

– Olha, gente, essa ventania do cata-vento está mandando as nuvens pretas para fora das casas. Os pais estão se libertando do Cúmulos Maldosus. Vixe, como o céu tá azul e lindo agora!

De repente, lá na casa do João Pedro, a mãe dele sai do transe. Confusa, ela pergunta ao filho:

– João Pedro, meu filho… O que aconteceu?

Ele responde, ainda assustado:

– Ué, mãe, você não lembra? Vocês me tiraram da escola, dizendo que eu tinha que trabalhar… Por isso comecei a vender balinha na feira.

– Tirar da escola? Eu fiz essa loucura? pergunta a mãe do João Pedro.

– Meu filho, me perdoe. A gente não estava pensando direito com aquela nuvem na nossa cabeça.

Ao fundo, começa aquela musiquinha… “Criança não trabalha… criança dá trabalho…”

Xereta aproveita para deixar bem clara onde é o lugar da criança:

– Vocês viram, Plenamigos, que lugar de criança não é vendendo bala na rua nem trabalhando de babá? Criança não pode trabalhar! Está lá, tudo escritinho no Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA. Até 14 anos, criança não trabalha. De 14 a 16 anos, elas podem trabalhar somente como aprendizes. Quem tem a obrigação de sustentar as famílias são os pais, não os filhos. Isso porque, se a criança trabalha, ela deixa de estudar. Ela deixa de brincar. Ela entra mais cedo no mundo dos adultos. Ela perde de uma só vez todos os aspectos do maravilhoso mundo da infância. Por isso, vamos todos lutar para combater esse verdadeiro vilão da infância: o trabalho infantil.

 

Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura "plenarinho.leg.br - Câmara dos Deputados" e não seja para fins político-partidários

2 Comentário(s)

  • by Herbert Barbosa Ferreira postado 08/03/2018 15:13

    A Vez do Plenarinho ele é uma rádionovela

    • by Turma do Plenarinho postado 09/03/2018 15:17

      A Vez do Plenarinho é um programa que fazemos em parceria com a Rádio Câmara. Pode ser uma pequena história, um informativo ou a divulgação de uma ação. 😉

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