Débora Garofalo: a professora que transformou sucata em ensino

Ser professor não é fácil. Lidar com a falta de recursos, a ausência de segurança e ainda manter os alunos interessados no processo educacional, são apenas algumas das dificuldades enfrentadas. Mas, em meio a tantos desafios, uma professora se destacou: foi Débora Garofalo, finalista do Global Teacher Prize 2019, considerado o Nobel da Educação.

Como tudo começou

A professora de robótica, que dá aulas na rede pública há 14 anos, notava desesperança e baixa autoestima entre seus alunos, que viviam em uma comunidade pobre. Além disso, as crianças contavam que, em dias chuvosos, não podiam ir à escola, pois as ruas alagavam – culpa dos bueiros, sempre entupidos de lixo.

Foi então que Débora teve uma ideia – por que não fazer do lixo uma ferramenta de apoio pedagógico? E, assim, com um projeto em que ensina robótica com sucata, ela começou a transformar a vida de seus alunos e da comunidade.

Transformando vidas

O projeto “Robótica com Sucata”, que nasceu em 2015, já recolheu das ruas de São Paulo mais de uma tonelada de materiais recicláveis. Os próprios alunos saem às ruas para coletar o material que depois se transforma em brinquedo, filtro de água, semáforo e até máquina de sorvete.

A professora relata que percebeu uma transformação em seus alunos. “Eles mesmos relatam que não jogam mais nenhum tipo de lixo na rua, não o descartam mais de forma incorreta porque descobriram o potencial que esse lixo tem. Hoje, eles se tornaram multiplicadores. Eles multiplicam esses conhecimentos para dentro de casa e, fora isso, para a própria comunidade. É uma mudança radical”, conta.

Débora ressalta que os alunos também se revelaram mais atentos a temas como machismo, empatia, colaboração com o próximo. “Eles realmente mudaram a forma de lidar com esses problemas”, afirma.

Um incentivo à inovação

A professora Débora é um exemplo do poder de transformação que educadores criativos podem ter entre os seus estudantes. Por outro lado, ela reconhece que é fácil desanimar “por falta de incentivo das políticas públicas e da valorização docente”.

Para ela, a indicação ao prêmio internacional desperta o interesse de toda a sociedade para o trabalho inovador que vem sendo desenvolvido por educadores em todo o Brasil. “Eu acho que é necessário, nesse momento, valorizar essas práticas desses professores e realmente transformá-las em políticas públicas, só assim a gente muda a educação”.

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