Violência doméstica durante o isolamento social

Ilustração. O fundo é composto por uma parede de azulejos e prateleiras com embalagens de produtos de limpeza. No centro aparece uma mulher negra com cabelos escuros encaracolados presos para trás. Tem grandes olhos bem abertos e a boca está entreaberta e sua expressão demonstra medo. Com uma das mãos ela segura uma vassoura e a outra está na frente do rosto, com a palma virada para frente. Pode-se ver uma sombra de um homem com um braço levantado e punho fechado.

O isolamento social recomendado por especialistas durante a pandemia da COVID-19 pode ter um efeito perverso: o aumento da violência doméstica. Na China, os casos de violência contra mulheres triplicaram. Na França, o número de ocorrências já subiu mais de 30% desde o início das restrições de circulação. A preocupação é também com a segurança das crianças.

A relatora especial da ONU sobre Violência contra a Mulher, Dubravka Simonovic, pede que os governos não parem com as ações de proteção às vítimas e que as polícias aumentem os esforços para ações ainda mais rápidas durante os dias de isolamento. “O risco é agravado num momento em que há poucos abrigos e serviços de ajuda para as vítimas, quando é difícil acessar aqueles ainda abertos e quando diminui o apoio comunitário, há menos intervenções policiais e menos acesso à justiça, já que muitos tribunais estão fechados”, observa. Ela alerta ainda que as restrições de movimento, as limitações financeiras e a insegurança generalizada podem encorajar os abusadores.

Novas soluções e apoio dos vizinhos

Dubravka Simonovic lembra do risco que as vítimas podem correr ao fazer uma ligação telefônica para pedir ajuda em um contexto de confinamento domiciliar e sugere que os governos adotem soluções novas diante desse desafio.

Uma ideia adotada pelo Ministério do Interior da França foi criar um sistema de alerta nas farmácias com um código, como já é feito na Espanha. Caso o agressor esteja presente quando a mulher vai à farmácia, a vítima deverá usar essa senha e, então, a polícia será avisada para fazer uma intervenção de emergência.

A ação dos vizinhos também pode ser decisiva para interromper a violência e até salvar vidas. Se escutar brigas violentas ao seu redor, não finja que não ouviu. As denúncias podem ser feitas pelo Disque 180, que recebe ligações 24 horas por dia, de todo Brasil. Também é possível pedir ajuda pelo telefone da polícia, o 190.

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