Dia do índio

ilustração. Uma família de índios está em frente a uma oca sobre fundo composto por céu azul e árvores verdes. A oca é uma grande cabana marrom feita de palha. A família é composta por um homem velho barrigudo que está com cocar de penas verdes e um colar também verde. Ao seu lado, uma mulher de cabelos longos e pretos. Uma criança de cabelos pretos e lisos abaixo das orelhas está do lado da mulher. Por último, um homem de cabelos curtos, pretos e lisos tem marcas de tinta vermelha no rosto e ombros. Todos têm pele escura, vestem um tipo de saia de franjas marrom e estão sem camisa, com exceção da mulher que veste camiseta branca.

Os índios chegaram nesta terra onde hoje é o Brasil há muito tempo. Alguns estudos afirmam que eles já habitavam a América do Sul há cerca de 11 mil anos. Já os europeus chegaram ao Brasil no ano de 1500. Conta a História que, no nosso país, os europeus encontraram esses habitantes que aqui moravam e os chamaram de índios. É provável que tenham dado esse nome aos habitantes daqui porque acreditavam ter chegado à Índia. Quando descobriram se tratar de uma nova terra, o nome já tinha pegado!

Os portugueses, bem como os outros povos europeus, tinham uma cultura completamente diferente da indígena e estranharam muito o modo de vida dos nativos. Os índios andavam nus, comiam comidas naturais, viviam soltos em total liberdade e tinham um tom de pele pardo e cabelos bem lisos e escorridos. Uma corrente de historiadores acredita que muitos europeus não souberam lidar com as diferenças da cultura dos nativos e tentaram impor aos índios a cultura européia e a religião cristã, obrigando-os a agir, pensar e vestir-se como eles.

Os portugueses ainda quiseram escravizar os índios. Mas essa ideia não deu muito certo. Não aceitando as imposições de trabalho forçado e a nova cultura, os índios se revoltaram e lutaram contra os brancos. Muitos acabaram morrendo pela guerra e também pelas doenças que o branco transmitia – como a gripe, o sarampo e a coqueluche. Os índios não tinham resistência a essas doenças e morriam rapidamente.

Estudiosos acreditam que, na época do descobrimento do País, o número de índios que viviam por aqui era de cerca de 5 milhões – divididos em milhares de aldeias. Segundo o Censo IBGE 2010, há no Brasil mais de 240 povos indígenas que somam 896.917 pessoas.

Cultura

Os indígenas são muito mais ligados à terra. Trabalham em suas lavouras para garantir o sustento da aldeia e alimentam-se, principalmente dos frutos das árvores e dos animais que caçam.

Nas aldeias normalmente existem duas pessoas muito importantes na organização: o pajé e o cacique. O cacique é o chefe da tribo, e o pajé é o sábio, o qual conhece a cura para as doenças e se comunica com os deuses. Cada sociedade indígena cria suas próprias explicações a respeito do mundo, dos fenômenos naturais, dos espíritos e dos seres sobrenaturais.

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Ilustração. Zé Plenarinho e Ana Légis abraçam um menino indígena. Os três pisam sobre o desenho do mapa do Brasil verde-claro. Em volta do mapa do Brasil, desenho, em marrom, do mapa de outros países e continentes, de onde saem setas coloridas que apontam para o mapa verde.

As crianças indígenas

Assim como em qualquer sociedade, os índios também constroem brinquedos para seus filhos. Os mais comuns são feitos de palha, madeira ou barro. Os adultos fabricam para as crianças dobraduras de palha, representando os animais da floresta. Em geral, os brinquedos são miniaturas de objetos usados na sociedade e, além de fazerem as crianças se divertir, esses objetos as educam para as tarefas que terão de realizar quando se tornarem adultas.

Até aprenderem a andar, os bebês vivem aconchegados a suas mães, numa espécie de bolsa que as mães prendem no corpo para carregá-los. As crianças pequenas, de até 3 ou 4 anos, brincam com outras crianças e com seus brinquedos. Mas estão sempre próximas às mães, pois costumam mamar nelas até essa idade. É comum, também, que uma irmã mais velha, adolescente, tome conta das crianças menores.

Desde novinhas, as crianças vão aprendendo as atividades que terão de desenvolver quando forem adultas. As meninas aprendem a plantar, colher, carregar lenha, preparar alimentos e bebidas fermentadas, fiar algodão, confeccionar redes e cerâmica. Já os meninos aprendem a preparar o terreno para o plantio, caçar, confeccionar arco e flecha, fazer cestas e enfeites de plumas e construir casas.

Nas culturas indígenas, cabe aos pais a orientação nas tarefas e comportamentos que a comunidade julga corretos. As crianças devem brincar e ter a mãe sempre por perto para protegê-las. Os pais jamais devem levantar a voz, brigar ou bater em seus filhos; devem educar com autoridade, para desenvolver na criança a atenção, a observação e a importância da repetição de uma tarefa até a sua plena aprendizagem. Nas tribos é dever de todos fazer a criança crescer com responsabilidade e respeito às regras da comunidade.

Educação indígena

Além de aprender isso tudo, os indiozinhos ainda têm de ir à escola. De todos os índios do Brasil, cerca de 150 mil estão em idade escolar e estudam em escolas de Ensino Médio e Fundamental em suas aldeias ou em municípios próximos. Há também mais de mil jovens indígenas que frequentam diversas universidades e faculdades brasileiras.

Hábitos indígenas

Você sabia que vários dos nossos hábitos são herdados da cultura indígena? Um dos costumes mais importantes é o de tomar banho todos os dias. Em outras culturas, como na dos países europeus, é comum as pessoas passarem dias sem tomar banho. Que bom que os índios nos ensinaram isso, né? Assim somos um povo bem cheirosinho!

Também aprendemos com eles o uso de chás e plantas medicinais para curar doenças. E como os índios têm muito conhecimento de ervas e plantas, muitos dos remédios que compramos hoje nas farmácias tiveram suas fórmulas baseadas em chás indígenas. É influência deles também a utilização de redes para dormir, as várias danças, principalmente as da região Norte do Brasil. E ainda várias canções e lendas do folclore brasileiro.

Terras

Para os índios, a terra é muito importante, sagrada mesmo. Não só porque é o lugar de onde tiram seu sustento, mas também porque é o que eles consideram como o lar deles. Por isso a Constituição brasileira garante que as terras dos índios devem ser demarcadas (determinadas) pelo governo e devem ser respeitadas por todos.

Vida de índio

Em 2006, a nossa repórter Xereta entrevistou alguém muito especial: a índia Maria Helena Sarapó, que estava de passagem por Brasília. Nossa entrevistada mora na tribo dos Fulni-ô, uma aldeia de 6 mil índios no interior do Pernambuco, e contou como é a vida em sua aldeia.

Xereta: Como é a vida na sua tribo? O que vocês fazem no dia-a-dia?

– A gente faz artesanato, cozinha e busca lenha no mato. Os homens caçam e fazem artesanato também: arco, flecha e lança. As crianças de manhã vão para a escola aprender português, e de tarde vão para a escola da nossa língua, o Iatê. Normalmente ficamos mesmo na aldeia, mas no final de agosto a gente vai para a reserva passar três meses, onde praticamos nossos rituais e ensinamos às crianças as tradições da tribo.

Xereta: A escola consegue atender a todas as crianças da tribo?

– Sim, a escola tem 10 salas de aula, e todas as crianças estudam.

Xereta: A tribo tem energia elétrica?

– Na aldeia temos energia elétrica, sim, e também televisão, som, escola de computação, telefone e água encanada. Mas na reserva, que é uma área mais isolada, só tem água encanada; não tem energia porque o cacique prefere que não tenha, lá a luz é de lampião.

Xereta: A escola de computação é para toda a comunidade?

– Sim, para toda a aldeia, e tem acesso à internet. Só que são 10 computadores para a aldeia toda (de 6 mil índios).

Xereta: Que tipo de brinquedos as crianças têm na tribo?

– Os pais fabricam brinquedos, mas eles recebem muita doação de bola, carrinho e outros brinquedos. Alguns índios têm mais condição e compram para os próprios filhos. Alguns índios da minha aldeia são funcionários da prefeitura e do estado. Esses têm mais condição, porque têm salário certo. Os que não têm, vivem das plantações, do artesanato e de doações.

Xereta: Em que idade as crianças começam a ser consideradas adultas na tribo?

– As meninas são consideradas adultas depois da menstruação, e os meninos, a partir dos 13 anos.

Xereta: As crianças trabalham? Ajudam na plantação?

– Só quando elas têm um tempinho, mas sempre a escola está em primeiro lugar.

Xereta: O que a senhora acha de mais importante que os índios devem reivindicar?

– A terra, pois as reservas não têm espaço suficiente. A nossa área é de 11 mil hectares. Antigamente era de 53 mil hectares, mas o branco foi tomando e só ficaram 11 mil. É muito apertado para mais de 6 mil índios. Porque a gente planta muitas coisas: milho, feijão, algodão, verduras, frutas.

Xereta: Para a senhora, qual a importância de ter um dia dedicado aos índios?

– É bom para as pessoas lutarem pelos direitos dos índios, porque ainda tem muita gente que não gosta de índio. Seria bom se as pessoas entendessem e apoiassem, porque de vez em quando tem questão de terra, com gente querendo tomar. Até índio queimado já mataram aqui mesmo em Brasília (o índio Galdino Jesus dos Santos foi queimado por cinco jovens enquanto dormia num ponto de ônibus, em 20 de abril de 1997) .

Xereta: Que mensagem deixaria para as crianças?

– Eu falaria para as crianças não seguirem maus exemplos, que elas seguissem sempre bons exemplos, porque quando a pessoa é criada vendo bons exemplos ela vai fazer boas ações. Vendo televisão, a gente vê tanta coisa ruim, mas quem tem um coração bom vai tentar ajudar para que o mal não aconteça mais. Eu queria que as crianças crescessem tendo paz no coração.

Veja também como é a vida de um índio de 14 anos.

 

Para brincar

O Museu do Índio tem um link em seu site totalmente dedicado à educação. Lá você pode encontrar informações e ainda muitas outras novidades sobre os índios do Brasil. Muito bacana! Não perca tempo. Visite o site do Museu do Índio.

O Dia do Índio é comemorado no dia 19 de abril! Viva!!

Fontes

– Museu do Índio
– Fundação Nacional do Índio, Funai

 

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