Povos indígenas

A ilustração está dividida verticalmente em seis partes e cada uma delas traz uma pessoa indígena com adereços e vestimentas diferentes. Da esquerda para a direita: um indígena idoso, com um cocar azul. Uma criança com uma faixa alaranjada na cabeça, pintura no rosto e um tecido colorido cruzado na frente do peito. Um homem de cocar amarelo, brincos brancos e disco de madeira (botoque) no lábio inferior. Jovem indígena com pintura facial e ornamento felpudo e branco na cabeça. Homem indígena com cabelos avermelhados, pintura facial, colar branco e ornamentos florais nos dois braços. Mulher indígena com pintura facial, brincos e colares coloridos e saia de palha.

Os indígenas chegaram nesta terra onde hoje é o Brasil há muito tempo. Alguns estudos afirmam que eles já habitavam a América do Sul há cerca de 11 mil anos.

Já os europeus chegaram ao Brasil no ano de 1500. Conta a História que, no nosso país, os portugueses encontraram esses habitantes que aqui moravam e os chamaram de índios. É provável que tenham dado esse nome porque acreditavam ter chegado à Índia. Quando descobriram se tratar de uma nova terra, o nome já tinha pegado!

Estudiosos acreditam que, na época do descobrimento do País, o número de indígenas que viviam por aqui era de cerca de 5 milhões – divididos em milhares de aldeias. Segundo o Censo IBGE 2010, há mais de 240 povos indígenas no Brasil, que somam 896.917 pessoas. Eles vivem em todas as regiões brasileiras e falam 274 línguas distintas, além do português (na maioria dos casos), o que revela uma imensa diversidade.

Cultura

Com tantas etnias diferentes, não dá para falar de cultura indígena como se fosse uma coisa só. Afinal, cada uma delas tem formas particulares de organização, linguagem, lida com a terra, cerimônias, costumes, crenças etc. .

Nas comunidades indígenas, normalmente há duas figuras muito importantes: o pajé e o cacique. O cacique é o líder do povo, e o pajé é o sábio, o qual conhece a cura para as doenças e se comunica com os deuses. Mas, de novo, é bom lembrar que cada sociedade indígena tem suas próprias regras e explicações a respeito do mundo, dos fenômenos naturais, dos espíritos e dos seres sobrenaturais.

Outro ponto que une os povos indígenas é sua forte ligação com a terra. É dela que tiram boa parte de sua alimentação. Ela nutre também a espiritualidade de muitos povos, que mantém uma relação sagrada com a água, as árvores, os animais e os espíritos que vivem naquele território. Por isso, a Constituição brasileira garante que as terras indígenas devem ser demarcadas (determinadas) pelo governo e respeitadas por todos.

A infância indígena

Curumim é a palavra em tupi-guarani que significa criança. Assim como em qualquer sociedade, as crianças indígenas adoram brincar, correr, nadar e ouvir histórias. E como qualquer criança, elas têm direitos que precisam ser garantidos, como o acesso à saúde, educação e proteção.

Os brinquedos indígenas tradicionais geralmente são feitos de madeira, barro ou palha. Você pode nem saber, mas com certeza já se divertiu muito com alguns deles, como a peteca, a perna de pau e o arco e flecha! Muitos de seus brinquedos e brincadeiras reproduzem o universo dos adultos, já que brincar também é uma forma de aprender.

As crianças Guarani que vivem no Espírito Santo e em São Paulo, por exemplo, adoram uma brincadeira conhecida como “arranca mandioca”, porque lembra a maneira como a raiz é colhida. Que tal experimentar esse jogo com seus colegas? Vocês só vão precisar de uma árvore por perto. Todos (menos um) vão se sentar em fila, segurando firme o colega da frente. O primeiro se segura na árvore. O que ficou em pé será o “dono da roça” e terá que usar toda a sua força para tirar todas as “crianças-mandioca” da fila, uma a uma.

Os Kalapalo, que vivem no Parque Indígena do Xingu (MT), também têm uma série de brincadeiras super divertidas. Uma delas é a heiné kuputisü, ou corrida do saci. Uma linha é traçada na terra para definir o local de largada e o ponto de chegada. A meta é conseguir chegar ao final sem se desequilibrar. Esse jogo costuma reunir crianças e adultos no centro da aldeia, garantindo boas risadas para todos.

Mas é importante a gente lembrar que muitos indígenas vivem nos centros urbanos (cerca de 36% desta população). E que todos – morando em aldeias ou cidades – fazem parte da nossa sociedade como qualquer cidadão, onde lutam por manter suas tradições e direitos. Então é natural que as crianças indígenas adorem brincar também com brinquedos e jogos não tradicionais. E por que seria diferente, né?

Várias sociedades indígenas dividem as tarefas por sexo, e as crianças aprendem a lidar com essa regra desde cedo, seja em brincadeiras ou pequenas tarefas. Entre os Wayana e Apalaí (que vivem no Pará), a partir dos 4 anos as meninas costumam ganhar do pai um pequeno cesto trançado especialmente para elas. Cabe às meninas e mulheres Wayana o uso cestos para a realização de tarefas domésticas. E cabe exclusivamente aos meninos e homens a sua confecção. A eles também cabe a caça e a pesca. E elas são responsáveis pelo preparo dos alimentos, como o beiju.

Os pais e mães protegem e acompanham seus filhos – e cabe à toda a comunidade a tarefa de ensinar as crianças a crescer com responsabilidade e respeito às regras coletivas.

Educação indígena

Além de aprender isso tudo, os curumins também precisam ir à escola, como qualquer criança. Muitos deles estudam em escolas indígenas, que devem acrescentar aos currículos questões específicas sobre a cultura daquele povo, além dos conteúdos das escolas não indígenas. Segundo o Censo Escolar de 2015, existem 3.085 escolas indígenas no Brasil, com um total de 285 mil estudantes. Há também mais de mil jovens indígenas que frequentam diversas universidades e faculdades brasileiras.

Heranças indígenas

Você sabia que vários dos nossos hábitos são herdados da cultura indígena? Um dos costumes mais importantes é o de tomar banho todos os dias. Em outras culturas, como na dos países europeus, é comum as pessoas passarem dias sem tomar banho. Que bom que os indígenas nos ensinaram isso, né?

Também aprendemos com eles o uso de chás e plantas medicinais para curar doenças. E como os indígenas têm muito conhecimento sobre ervas e plantas, muitos dos remédios que compramos hoje nas farmácias tiveram suas fórmulas baseadas em suas medicinas.

É influência deles também a utilização de redes para dormir, várias danças e, ainda, várias canções e lendas do folclore brasileiro. Vale pesquisar e se surpreender com toda a riqueza dessa cultura, que é de todos nós.

Vida em aldeia

Em 2006, a nossa repórter Xereta entrevistou alguém muito especial: a menina indígena Maria Helena Sarapó, que estava de passagem por Brasília. Nossa entrevistada mora na tribo dos Fulni-ô, uma aldeia com 6 mil pessoas no interior do Pernambuco, e contou como é a vida lá.

Xereta: Como é a vida na sua comunidade? O que vocês fazem no dia-a-dia?

– A gente faz artesanato, cozinha e busca lenha no mato. Os homens caçam e fazem artesanato também: arco, flecha e lança. As crianças de manhã vão para a escola aprender português, e de tarde vão para a escola da nossa língua, o Iatê. Normalmente ficamos mesmo na aldeia, mas no final de agosto a gente vai para a reserva passar três meses, onde praticamos nossos rituais e ensinamos às crianças as tradições da comunidade.

Xereta: A escola consegue atender a todas as crianças da tribo?

– Sim, a escola tem 10 salas de aula, e todas as crianças estudam.

Xereta: A aldeia tem energia elétrica?

– Na aldeia temos energia elétrica, sim, e também televisão, som, escola de computação, telefone e água encanada. Mas na reserva, que é uma área mais isolada, só tem água encanada; não tem energia porque o cacique prefere que não tenha, lá a luz é de lampião.

Xereta: A escola de computação é para toda a comunidade?

– Sim, para toda a aldeia, e tem acesso à internet. Só que são 10 computadores para a aldeia toda (de 6 mil índios).

Xereta: Que tipo de brinquedos as crianças têm?

– Os pais fabricam brinquedos, mas eles recebem muita doação de bola, carrinho e outros brinquedos. Alguns indígenas têm mais condição e compram para os próprios filhos. Alguns indígenas da minha aldeia são funcionários da prefeitura e do estado. Esses têm mais condição, porque têm salário certo. Os que não têm, vivem das plantações, do artesanato e de doações.

Xereta: Em que idade as crianças começam a ser consideradas adultas na sua comunidade?

– As meninas são consideradas adultas depois da menstruação, e os meninos, a partir dos 13 anos.

Xereta: As crianças trabalham? Ajudam na plantação?

– Só quando elas têm um tempinho, mas sempre a escola está em primeiro lugar.

Xereta: O que você acha de mais importante que os indígenas devem reivindicar?

– A terra, pois as reservas não têm espaço suficiente. A nossa área é de 11 mil hectares. Antigamente era de 53 mil hectares, mas o branco foi tomando e só ficaram 11 mil. É muito apertado para mais de 6 mil índios. Porque a gente planta muitas coisas: milho, feijão, algodão, verduras, frutas.

Xereta: Para você, qual a importância de ter um dia dedicado aos indígenas?

– É bom para as pessoas lutarem pelos direitos dos indígenas, porque ainda tem muita gente que não gosta da gente. Seria bom se as pessoas entendessem e apoiassem, porque de vez em quando tem questão de terra, com gente querendo tomar. Até indígena queimado já mataram aqui mesmo em Brasília (Galdino Jesus dos Santos foi queimado por cinco jovens enquanto dormia num ponto de ônibus, em 20 de abril de 1997) .

Xereta: Que mensagem deixaria para as crianças?

– Eu falaria para as crianças não seguirem maus exemplos, que elas seguissem sempre bons exemplos, porque quando a pessoa é criada vendo bons exemplos ela vai fazer boas ações. Vendo televisão, a gente vê tanta coisa ruim, mas quem tem um coração bom vai tentar ajudar para que o mal não aconteça mais. Eu queria que as crianças crescessem tendo paz no coração.

Veja também como é a vida de um menino Terena de 14 anos.

Para saber mais

O Museu do Índio tem um link em seu site totalmente dedicado à educação. Lá você pode encontrar informações e ainda muitas outras novidades sobre os povos indígenas do Brasil.

O projeto Povos Indígenas no Brasil Mirim também reúne um farto material sobre o tema, direcionado a estudantes e educadores. Vale a pena conhecer!

E se gostar de números, estatísticas e mapas, o IBGE tem um espaço exclusivo com informações sobre a população autodeclarada indígena no território brasileiro, com base nos resultados censitários.

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