Almerinda Farias Gama

Almerinda Farias Gama foi uma das primeiras mulheres negras a atuar na política brasileira. Era, em suas palavras, “advogada consciente dos direitos das classes trabalhadoras, jornalista combativa e feminista de ação”. Uma alagoana valente, que venceu preconceitos, mas que a História ignorou.

Nascida em Maceió em 16 de maio de 1899, mudou-se aos 8 anos para Belém/PA para ser criada por uma tia, após a morte do pai. Na capital paraense, formou-se datilógrafa profissional. E, como escrevia bem, logo começou a publicar crônicas em um jornal.

Mas ela queria trabalhar em sua área de formação, e foi atrás de um emprego. Foi quando descobriu que a vaga que a interessava pagava 50% mais a datilógrafos, pelo simples motivo de pertencerem ao sexo masculino. Aquele episódio inflamou o espírito de Almerinda, que a partir daí passou a lutar por equidade de direitos entre homens e mulheres.

Almerinda mudou-se para o Rio de Janeiro em 1929. Em pouco tempo, firmou-se na profissão e tornou-se presidente do Sindicato dos Datilógrafos e Taquígrafos. Desde aquele tempo, já percebia que o voto era o caminho para que a mulher conquistasse seu lugar nos espaços de poder, e se uniu ao movimento das sufragistas.

Em 1933, Almerinda tornou-se a única mulher a votar na Assembleia Nacional Constituinte como delegada classista (isto é, representante de uma classe trabalhadora). No ano seguinte, já formada em Direito, ela resolveu se candidatar a deputada federal. Suas bandeiras eram a independência econômica da mulher, a garantia legal do trabalhador e o ensino obrigatório e gratuito de todos os brasileiros em todos os graus. Pra frente, ela, né?

Almerinda infelizmente não foi eleita. Mas, com certeza, foi uma vencedora, quebrando barreiras, vencendo preconceitos e se fazendo ouvir.

Almerinda morreu com mais de 93 anos, no subúrbio carioca, sem deixar herdeiros. Mas, cada vez que uma menina negra se interessa por política, recebe as bênçãos e o encorajamento dessa mulher admirável.

Com informações do curta-metragem “Almerinda, a luta continua”, de Cibele Tenório; do site Memorial da Democracia; do portal Mulher500; do Dicionário Mulheres alagoanas ontem e hoje, de Enaura Quixabeira Rosa e Silva e Edilma Acioli Bomfim.

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