Primeiro estudante surdocego se forma na UnB

Formaturas são momentos de muita celebração. Afinal, elas encerram um percurso marcado por dúvidas, alegrias, dificuldades e muitas descobertas. Na casa do Iury Moraes, de 26 anos, não foi diferente. O diploma em Língua de Sinais Brasileira – Português como Segunda Língua, pela Universidade de Brasília, foi recebido com festa. Mas a conquista do Iury teve um sabor ainda mais especial: ele é o primeiro estudante surdocego a ingressar na instituição e também o primeiro com a deficiência a se formar na UnB, pelo Instituto de Letras.

Iury é surdocego de nascença e sempre estudou em escolas públicas. Além do fundamental apoio dos pais, ele contou com o incentivo de professores nessa trajetória. “Demorei a andar, foi com três anos. Depois, fiquei no hospital em UTI com pai e mãe. Depois disso tudo, eu conheci todos os professores, eles me estimularam, se solidarizaram, cuidaram de mim”, relembra.

Não é à toa que Iury Moraes quer ser professor para pessoas com deficiência e ouvintes que sabem Libras. “Eu escolhi essa profissão porque quero motivar o grupo de alunos. Aprendi como fazer e trabalhar positivamente. Tive professores bons, amigos. Isso me mostrou que ser professor seria importante, porque tenho características e identidade surdocega e tive influência positiva, já lutei muito”, conta.

Desenvolvimento de habilidades

O recém-graduado destaca a importância de professor e escola conhecerem bem o estudante, para trabalhar no desenvolvimento de suas habilidades. “É importante ter intérpretes competentes, aprofundar o currículo presencial e o atendimento remoto também”, avalia.

Ao ingressar na UnB, em 2016, Iury teve suporte da Coordenação de Apoio às Pessoas com Deficiência, com guia, intérprete, monitor e instrutor. Ainda assim, esbarrou em muitas dificuldades “arquitetônicas, de comunicação e de empatia”. Ele observa que toda instituição precisa organizar sua capacidade de acessibilidade, “possibilitando um profundo aprendizado educacional, com experiência que um passa para o outro”. Ou seja, é preciso que as pessoas com deficiência sejam escutadas e que suas considerações sejam levadas em conta neste processo.

Escolas regulares

Outra questão destacada por Iury Moraes é a presença de pessoas com deficiência em escolas regulares. “Acho que é muito produtivo, porque temos a inclusão de alunos para completar todo o ciclo de estudo, e o desenvolvimento da autonomia, empatia. Às vezes, é difícil, mas não podemos desprezar a inclusão”, diz.

Nesse processo inclusivo, a tecnologia é uma aliada fundamental. Mas Iury ressalta que é preciso ir além. “A tecnologia é importante sim, tenho um tablet que me ajuda. Mas é preciso saber como alcançar o objetivo e perceber se as pessoas que entram na inclusão têm autonomia, têm habilidades e conseguem organizar a vida. Essa mistura ensina a ter novos caminhos diferentes”, avalia.

Iury Moraes tem orgulho de ser o primeiro surdocego na UnB e pretende seguir como protagonista na área que escolheu. “Quero ensinar português como segunda língua e criar uma metodologia para apoiar socialmente a Língua de Sinais”, planeja o brasiliense, já pensando nos projetos de Mestrado e Doutorado. Ideias, força e determinação não faltam para isso!

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4 Comentário(s)

  • by Maria da Conceição pinheiro postado 30/10/2020 13:15

    O Iury é um herói. Acredito no Doutorado, Mestrado e em tudo que ele se dispor a fazer. Ele é determinado, tem ótimos projetos para sua vida. Que Deus o abençoe. Que esse testemunho lindo sirva de inspiração para todos. Parabéns para ele e para sua família.

    • by Turma do Plenarinho postado 03/11/2020 12:08

      Também somos fãs do Iury, Maria da Conceição! Abraços da Turma!

  • by Fatima postado 30/10/2020 18:30

    Fantástica a reportagem com IURY. Um rapaz que precisou se esforçar muito mais para chegar onde chdgou

    • by Turma do Plenarinho postado 03/11/2020 12:06

      Que bom que gostou, Fátima! Iury é uma inspiração para todos nós! Abraços da Turma!

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