Conheça as autoras e projetos do Câmara Mirim 2020

Bem estar animal, direitos humanos e valorização da cultura local. A diversidade de temas marcou os projetos selecionados nesta edição experimental do Câmara Mirim, que ocorreu de forma virtual devido à pandemia da Covid-19. Mais uma vez, as meninas tiveram destaque, assinando as propostas selecionadas dentre as oito recebidas. As três autoras têm 13 anos e cursam o oitavo ano do Ensino Fundamental.

Maria Eduarda Fonseca Tavares estuda no Colégio Sagrado Coração de Maria, em Mossoró (RN), e elaborou o projeto que garante a mulheres vítimas de violência sexual o direito de optar por ter seu caso julgado por uma magistrada. Ela conta que a ideia surgiu ao ver várias injustiças contra mulheres, como no caso do julgamento da digital influencer Mariana Ferrer. “Havia todas as provas de que ela foi vítima de violência, mas o caso acabou com um desfecho escandaloso para a justiça, triste para a vítima e magistral para o réu”, argumenta. Maria Eduarda questiona o que deve acontecer com casos que não vêm a público, se isso ocorreu com uma pessoa com grande exposição na mídia.

O projeto gerou um intenso debate na comissão, o que foi visto por Maria Eduarda como algo desafiador, mas saudável. A estudante que pretende cursar Moda aprovou a experiência de ser deputada mirim. “Mesmo sendo mais novas, podemos mudar algumas coisas. Precisamos apenas nos esforçar e nos dedicar”, considera.

Valorização da cultura

Ana Luiza Morais Emiliano, do Colégio Sagrado Coração de Maria, de Mossoró (RN), enfrentou sua timidez para defender o projeto que garante espaço para artistas locais em rádios, TVs e mídias em geral. A ideia surgiu a partir de conversas com seu professor Andreilson de Castro, com a intenção de que talentos anônimos tenham o reconhecimento merecido, além de fazer valer a função das emissoras.

“O projeto pretende disciplinar e fazer cumprir o verdadeiro papel das concessões públicas de rádio no país, como difusoras da cultura nacional e local. Grande parte dos canais de TV e emissoras de rádio veiculam, em sua programação, músicas que não condizem com a realidade do público, sem relação com os aspectos culturais da região”, critica a estudante. Mesmo nervosa, Ana Luiza gostou do debate e das emendas que foram apresentadas a seu projeto. Ela define a participação no Câmara Mirim como uma “experiência única”.

Chipagem de animais

Letícia Campana de Goes adora política e se animou quando o coordenador do programa Vereador Mirim, da Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú (SC), Márcio Gonçalves, sugeriu que os jovens enviassem projetos para Brasília. Ao pesquisar, descobriu uma lei em Araraquara (SP) que poderia servir para todo o Brasil: a implantação de chip em animais domésticos, com informações sobre os pets e seus donos, determinando a responsabilidade sobre o animal.

“O acompanhamento das vacinas e a saúde do animal poderão ser acessados facilmente por um profissional veterinário, além de viabilizar que os órgãos de saúde possam realizar um controle sanitário. O rastreamento também é um dos benefícios, garantindo fácil acesso aos dados do cuidador e mais segurança em caso de desaparecimento animal”, explica a autora.

Controlar a ansiedade foi o maior desafio para Letícia durante o Câmara Mirim, mas ela ficou satisfeita com sua apresentação e com toda a experiência vivida. “Agora entendo como uma lei é criada desde o princípio, como as comissões acontecem, como é uma sessão parlamentar. Vou levar esse aprendizado pro resto da minha vida”, afirma. A catarinense planeja cursar Medicina, mas pretende estar sempre envolvida com a política. “É algo que me fascina. Muita gente só vê o lado ruim, mas eu gostaria de mostrar que a política não é tão ruim assim. Tenho certeza que vou participar de coisas políticas, porque é a base do nosso país. Se Medicina não der certo, política é uma das minhas opções. E se Medicina der certo, eu vou ser uma médica política”, planeja.

 

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