Irmã Dulce, a primeira santa brasileira

Ilustração. Fundo em tons de azul mostra sutilmente crianças sorrindo. No centro da imagem, uma freira com hábito azul e branco sorri levemente e ergue os braços ao lado do corpo com as palmas das mãos viradas para cima.

Ela ficou conhecida como “o anjo bom da Bahia” e, mais recentemente, como Santa Dulce dos Pobres. Desde pequena, a menina Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes já revelava a sua vocação: fazer o bem a quem mais precisasse.

Nascida em 26 de maio de 1914, em Salvador/BA, Maria Rita veio de uma família de classe média alta. O pai era Augusto Lopes Pontes, dentista e professor universitário, e a mãe era Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, que faleceu quando a menina tinha 7 anos.

Maria Rita foi uma criança alegre e bem humorada, que empinava pipa, brincava de boneca e adorava futebol – seu time preferido era o Esporte Clube Ypiranga, que fez sucesso na Bahia na década de 1920. Ela podia gostar das mesmas coisas que tantas outras crianças do seu tempo. Mas seu amor pelo próximo, ah, esse era único.

Aos 13 anos, com o apoio da família, a corajosa menina começou a acolher doentes e moradores de rua em sua casa. Era tanta gente necessitada à sua porta que o local ficou conhecido como “A Portaria de São Francisco”. Nessa mesma época, ela descobriu sua vocação religiosa.

Se dependesse só de sua vontade, Maria Rita teria se tornado freira imediatamente. Mas, como era muito jovem, foi recusada no convento. Só depois de se formar como professora, aos 18 anos, é que foi admitida na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em São Cristóvão/SE. Seis meses depois, em 13 de agosto de 1933, tornou-se freira, adotando o nome de Irmã Dulce, em homenagem à mãe.

O início de uma grande obra

Em 1934, já de volta a Salvador, a primeira missão de Irmã Dulce foi dar aulas em um colégio mantido pela congregação. Nessa mesma época, começou a prestar assistência à comunidade pobre de Alagados, conjunto de palafitas no bairro de Itapagipe. Em seguida, passou a atender também os numerosos operários que viviam na região.

Em 1936, ainda em Itapagipe, criou um posto médico e, com o apoio do Frei Hildebrando Kruthaup, fundou a União Operária São Francisco, que depois deu origem ao Círculo Operário da Bahia.

Em 1939, inaugurou o Colégio Santo Antônio, escola pública destinada aos filhos de operários no bairro de Massaranduba. No mesmo ano, num gesto ousado, invadiu cinco casas abandonadas na Ilha do Rato para abrigar doentes que recolhia das ruas.

De galinheiro a hospital

Infelizmente, a invasão das casas não foi bem recebida, e logo Irmã Dulce foi expulsa de lá com seus doentes. Por uma década, ela tentou alojá-los em diversos lugares. Até que, em 1949, com a autorização do Convento de Santo Antônio, ela conseguiu um local para instalar seus 70 doentes: o galinheiro ao lado da instituição. É difícil de acreditar, mas aquele foi o primeiro passo para a fundação do Hospital Santo Antônio, o maior da Bahia.

Em 1959, foi fundada oficialmente a Associação Obras Sociais Irmã Dulce – OSID. A força de vontade e o exemplo de Irmã Dulce fizeram da OSID uma das principais referências em organizações filantrópicas no Brasil, oferecendo gratuitamente serviços de saúde, assistência social, educação, ensino e pesquisa médica.

Embora não se queixasse de nada, Irmã Dulce tinha a saúde fragilizada por uma doença pulmonar que a acompanhou por quase 50 anos. Trabalhou dia após dia, enquanto suas forças permitiram. Morreu em 13 de março de 1992 e, 27 anos depois, tornou-se a primeira santa nascida no Brasil.

Reconhecimento merecido

Irmã Dulce foi uma das mais importantes ativistas humanitárias do século XX. Não à toa, foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz no ano de 1988.

E em 13 de outubro de 2019, após um processo de reconhecimento de méritos e milagres que se iniciou em janeiro de 2000, “o anjo bom da Bahia” tornou-se uma santa de verdade: Santa Dulce dos Pobres.

Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura "plenarinho.leg.br - Câmara dos Deputados" e não seja para fins político-partidários

Comente!

Seu endereço de email não vai ser publicado. Campos marcados com * são exigidos