Tomie Ohtake

Aos 23 anos, a japonesa Tomie Nakakubo cruzou o mundo para visitar um de seus irmãos no Brasil, em 1936. Devido à Guerra do Pacífico, acabou ficando por aqui, onde construiu sua carreira e se tornou uma das maiores artistas do País, já que se naturalizou brasileira aos 55 anos.

Considerada a “dama das artes plásticas brasileiras”, ela adotou o sobrenome do marido e ganhou fama mundial como Tomie Ohtake.

A arte da caligrafia chega cedo na vida das crianças japonesas, pois sua escrita é baseada em ideogramas. A pequena Tomie passou naturalmente da caligrafia para o desenho, “rabiscando” a todo instante. Mas o incentivo para as artes só chegou na vida dela quando já estava casada e cuidava de seus dois filhos, Ruy (arquiteto já falecido) e Ricardo (diretor do Instituto Tomie Ohtake).

Aos 31 anos, conheceu o professor de arte e pintor Keisuke Sugano (1909-1963), recém-chegado do Japão. Incentivada por ele, Tomie fez seus primeiros quadros. Infelizmente, a maior parte dessa primeira produção se perdeu em uma enchente em São Paulo, que destruiu também quase todos os pertences de sua família.

Reconhecimento

Além de lhe encorajar a pintar, Keisuke Sugano ajudou Tomie a sair do isolamento em que vivia, por conta do costume de sua cultura, que na época ditava que mulheres deveriam viver em um círculo muito pequeno de amizades e de participação na sociedade. Com isso, a artista conheceu outros pintores, outras formas de expressão e começou a participar de exposições. 

Não demorou a se destacar. Apenas seis anos depois de começar a pintar, realizou sua primeira mostra individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo (1957). E até o fim de sua longa vida, Tomie participou de inúmeras mostras individuais e coletivas, além de ter suas pinturas, gravuras e esculturas expostas em renomados museus do Brasil e do mundo, como o Museu de Arte Contemporânea de Tóquio.

A obra de Tomie Ohtake é marcada por cores intensas e contrastantes, e suas pinturas são grandes exemplos do movimento abstracionista. Já suas esculturas chamam atenção pela beleza e pelas grandes dimensões, como o monumento projetado pela artista para homenagear os 80 anos da imigração japonesa. Essa obra fica em São Paulo, na principal via entre as regiões Norte e Sul da cidade, e conta com quatro lâminas de concreto armado com cerca de 40 metros de comprimento, quatro metros de altura e dois metros de largura cada uma.

A artista, nascida em Quioto (Japão) em 1913, morreu em São Paulo em 2015, aos 101 anos.

O abstracionismo

Como vimos, Tomie Ohtake é uma das grandes representantes brasileiras do abstracionismo. Mas o que é isso? Abstracionismo, ou arte abstrata, é aquela que não retrata de forma fiel as pessoas, objetos, paisagens ou cenas da vida. Os(as) artistas abstracionistas costumam usar cores, formas e linhas para compor as suas obras.

Que tal você pesquisar algumas obras de Tomie Ohtake e produzir suas próprias pinturas ou esculturas inspiradas na nossa “dama das artes plásticas”?

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