O movimento das “Diretas Já”

“Diretas Já” foi um dos maiores movimentos populares da História do Brasil e teve enorme importância na redemocratização do País. Foi um belo exemplo de participação do povo na política nacional.

O começo

Em 1983, quando eclodiram os atos em defesa das eleições diretas para presidente, o Brasil vivia o regime militar. Em 1964, quando assumiram o poder, os militares suspenderam o direito da população o direito de votar para presidente e governadores dos estados. A escolha dos ocupantes destes cargos passou a ser feita por uma junta militar.

Com a promulgação da Constituição de 1967, um Colégio Eleitoral passou a ser responsável pela escolha do presidente. Foi o período das chamadas eleições indiretas. A partir de 1979, com a Lei da Anistia, que permitiu o retorno de muitos brasileiros que tinham fugido do Brasil por causa das perseguições políticas, teve início o processo de retomada da democracia. Foi instituído o pluripartidarismo e vários partidos foram criados, como PMDB, PT, PSC, entre outros. Em 1982, o povo pôde votar outra vez para governador.

A crise

É importante lembrar que, naquela época, o País estava enfrentando uma grave crise econômica, que atingiu o bolso e as condições de vida dos brasileiros. A abertura política e os problemas que o Brasil enfrentava fizeram crescer os partidos de oposição e os sindicatos e movimentos estudantis se fortaleceram.

A extrema insatisfação da população se refletiu nas manifestações em favor das eleições diretas. No início, os comícios da campanha não mobilizaram muitas pessoas. Mas o apoio político crescente ao movimento e o agravamento da situação econômica fizeram com que a população decidisse participar ativamente das Diretas.

O primeiro grande comício aconteceu no dia do aniversário da cidade de São Paulo (25 de janeiro), na Praça da Sé. A partir daí, o movimento ganhou as ruas e os meios de comunicação. Participaram inúmeros partidos políticos, lideranças sindicais, organizações civis, estudantes, jornalistas, artistas e setores da Igreja Católica e de outras religiões. Era muita gente reunida em praças de todo o Brasil, gritando “Diretas Já”.

Emenda Dante de Oliveira

A Constituição em vigor na época ainda era a de 1967. Nela, o presidente era escolhido por um Colégio Eleitoral e não pelo povo. Foi a Proposta de Emenda Constitucional do deputado Dante de Oliveira que pediu o retorno do voto direto, já a partir das eleições presidenciais de 1985.

No dia 16 de abril de 1983 – poucos dias antes da votação dessa proposta que poderia instituir as eleições diretas -, foi realizado o último comício, também em São Paulo, no Vale do Anhangabaú. Recebeu uma multidão estimada em mais de 1 milhão e 500 mil pessoas! Mas, apesar da intensa pressão popular, a proposta foi rejeitada pelo Congresso Nacional: 298 deputados votaram a favor, 65 contra e 3 se abstiveram, faltando 22 votos para atingir o quórum mínimo.

Este resultado negativo não desanimou o povo, não. A derrota não enfraqueceu o movimento – ao contrário, chamou a atenção de mais pessoas, ganhando cada vez mais a simpatia e o apoio dos brasileiros. Por isso, apesar de o movimento das Diretas Já não ter alcançado seu objetivo principal naquele momento, ele foi fundamental na redemocratização do País.

Em 1989, o brasileiro voltou a escolher o presidente da República por meio do voto direto.

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