Trabalhando o tema “Cidadania Digital”

As crianças e jovens de hoje parecem ter nascido sabendo utilizar os recursos da internet – não é à toa que são chamados de nativos digitais. Conhecer como funcionam ferramentas e aplicativos, no entanto, é muito diferente de interagir de forma ética e responsável na rede e saber se cuidar.

Este plano de aula foi criado para que você, professor@, comece a trabalhar a cidadania digital com seus estudantes. Optamos por priorizar alguns tópicos – relacionamento, privacidade, exposição, leis -, mas sabemos que o tema é amplo e há vários outros assuntos que podem ser explorados.

Vale destacar que este aprendizado está alinhado às competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com destaque para:

1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.

7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Público-alvo: Estudantes dos últimos anos do segundo ciclo do ensino fundamental (do 8º ao 9º ano).

Disciplinas trabalhadas: Ciências Humanas, Linguagens.

Objetivos: Capacitar os estudantes a utilizar a internet de forma crítica, responsável, ética e consciente.

Atividades propostas

Propomos cinco aulas de 40 minutos, cada uma.

Aula 1 – você sabe se cuidar na internet?

Fazer uma sondagem informal dos estudantes, anotando os quantitativos de cada resposta no quadro.

A primeira rodada de questões busca verificar a habilidade no uso de recursos da internet:

  • Quem sabe fazer uma pesquisa no Google?
  • Quem sabe mandar um e-mail?
  • Quem sabe usar aplicativos de mensagem instantânea (Whatsapp, Telegram, Messenger)?
  • Quem sabe como fazer para assistir a séries e filmes?
  • Quem sabe gravar um vídeo para o TikTok?
  • Quem sabe postar, curtir, comentar e compartilhar nas redes sociais?

A segunda rodada de questões verifica as experiências potencialmente negativas a que já estiveram expostos:

  • Quem já foi zoado na internet?
  • Quem já publicou alguma coisa e depois se arrependeu?
  • Quem já foi vítima ou conhece alguém que foi vítima de um golpe virtual?
  • Quem já foi ameaçado ou conhece alguém que recebeu ameaça na internet?
  • Quem já teve contato com conteúdo sexual ou de violência que o deixou incomodado?

A última rodada de questões analisa a capacidade dos estudantes de se cuidarem na internet (o número de respostas positivas deve cair sensivelmente):

  • Quem sabe bloquear um contato indesejado?
  • Quem já denunciou algum conteúdo que incomodou nas redes sociais?
  • Quem lê os termos de uso antes de criar uma conta em um serviço de internet?
  • Quem sabe configurar a privacidade dos posts nas redes sociais?
  • Quem sabe a quem recorrer se estiver sendo vítima de ciberbullying ou de outras ameaças?

Explicar aos estudantes que saber usar os recursos da internet é bem diferente de saber se cuidar na internet. Uma boa opção para chamá-los à reflexão é fazer contrapontos entre o simples uso das ferramentas da web e o uso consciente (exemplos: saber fazer uma busca versus saber identificar fontes confiáveis de informação; saber usar o e-mail versus saber identificar que aquela mensagem não é do seu serviço de streaming de vídeos; saber fazer um post versus saber o que fazer quando recebe ameaças por causa desse post).

É como atravessar uma rua movimentada: em teoria, basta saber se locomover para atravessar uma rua. Mas isso não é o suficiente para garantir chegar bem ao outro lado.

Apresentar os dados pertinentes da pesquisa TIC Kids Brasil 2019 para que tenham uma visão mais ampla da situação dos estudantes no Brasil.

Apresentar o conceito de cidadania digital.

Aula 2 – A internet como espaço de relacionamento

Propositadamente, comparecer à aula vestindo roupas ou acessórios muito extravagantes.

Distribuir à turma fichinhas de papel onde podem escrever sua opinião sincera sobre o visual do professor.

Apresentar aos estudantes uma caixa onde podem depositar suas opiniões. Em seguida, questioná-los: “Antes de colocar seu papel aqui, quantos querem ler para mim o que escreveram? Levantem a mão, por favor”. Comentar a quantidade. Em seguida, passar pela sala recolhendo os papéis.

Por fim, diante da turma, sortear três opiniões e ler para todos.

Ao final da experiência, questionar a turma sobre os motivos que podem ter levado vários deles a não levantar a mão na hora que o professor perguntou se leriam sua opinião em voz alta.

Explicar aos estudantes o motivo da vivência que acabaram de ter: muitas vezes, o cuidado que temos ao nos expressarmos cara a cara é muito diferente de quando escrevemos.

O mesmo vale para a web. Por mais que pareçamos estar sozinhos e isolados, há gente do outro lado da tela. E, o que não falaríamos frente a frente, não deveríamos falar via internet.

Apresentar aos estudantes o conceito de cyberbullying – intimidações repetitivas entre crianças e adolescentes via internet. Mostrar que, em sua versão digital, o bullying expõe muito mais a vítima e a faz sofrer repetidas vezes, pois pode ser visto e compartilhado por muito mais gente do que no mundo físico.

Questionar os estudantes se eles sabem a diferença entre brincadeira e violência. Registrar as respostas no quadro.

Em seguida, apresentar e explicar as características de uma brincadeira:

  • Todos se divertem e gostam dela.
  • A brincadeira tem começo, meio e fim.
  • Todos têm o mesmo poder para escolher participar.
  • Há regras e todos são iguais diante dos limites estabelecidos.

Questionar novamente os estudantes, agora sobre a diferença entre violência pontual e bullying.

Depois de ouvir e anotar as opiniões, esclarecer que um ato de violência não é considerado bullying se for:

  • Um episódio único de rejeição ou desagrado;
  • Um ato isolado de desrespeito ou aborrecimento;
  • Uma agressão ou intimidação aleatória;
  • Um episódio de briga ou desentendimento mútuo.

Destacar que, quando o ato violento se dá pela internet, ele pode viralizar e se disseminar rapidamente, com grande potencial de intimidação e humilhação. E assim, o que começou com um episódio isolado vira cyberbullying.

Explicar o que o estudante deve fazer se estiver sofrendo cyberbullying:

  • Contar aos pais/responsáveis ou a um adulto de confiança;
  • Se a intimidação estiver ocorrendo em âmbito escolar, levar ao conhecimento da direção da escola;
  • Acessar www.canaldeajuda.org.br para obter orientações caso seja necessário fazer uma denúncia criminal.

Para a aula seguinte, pedir aos alunos que pesquisem e enviem ao professor links de vídeos protagonizados por jovens que viraram memes.

Aula 3 – Pense antes de postar!

Começar a aula exibindo alguns dos vídeos enviados pelos estudantes.

Destacar o que eles têm em comum – foram feitos e protagonizados por gente jovem e compartilhados sem a menor pretensão, mas viralizaram e viraram memes. Mesmo que não quisessem, as pessoas que apareceram nos vídeos ficaram conhecidas e continuam sendo lembradas por causa deles.

Explicar que, por isso, é preciso pensar um pouco antes de publicar qualquer coisa na internet. “Será que eu e/ou a pessoa que aparece nesse vídeo gostaríamos de ser associados a essa publicação daqui a 5 anos?” “Isso poderia influenciar a conquista de um estágio profissional?”

A orientação não é parar de publicar, é só pensar bem antes disso – depois que um post entra no ar e viraliza, é quase impossível apagar. E, volta e meia, alguém o traz de volta.

Apresentar o conceito de reputação digital: é a avaliação que se faz de alguém a partir do que essa pessoa divulga na internet. Lembrar aos estudantes que as informações publicadas nas redes sociais têm sido usadas por empregadores para selecionar funcionários e para dispensá-los, também.

Para casa, pedir que os estudantes pesquisem como alterar as configurações de privacidade das redes sociais para apresentar na aula seguinte.

Aula 4 – A importância da privacidade

Começar a aula questionando os estudantes sobre quais informações não devem ser divulgadas nas redes sociais. Há aquelas elementares:

  • Endereço;
  • Telefone;
  • Números de documentos;
  • Senhas.

Mas há outras que não são tão óbvias assim:

  • Check Ins (revelam locais que frequenta);
  • Localizadores (revelam locais que frequenta);
  • Atualizações automáticas de aplicativos esportivos (revelam hábitos, horários e trajetos);
  • Atualizações automáticas de jogos (informam gostos do usuário);
  • Foto com o uniforme da escola (revela onde estuda);
  • Foto com a família toda, com todos devidamente nomeados (revelam quem são e como são os familiares);
  • Foto ‘ostentação’, com joias, carros importados, equipamentos de última geração ou em destinos internacionais (deixam o usuário mais visado por criminosos).

Alertar para os perigos de compartilhar informações demais – ficar sujeito a golpes pelo telefone, sequestro, uso das informações para descobrir senhas. Mostrar casos reais em que isso aconteceu e perguntar se a turma tem exemplos disso. Ressaltar a importância de se compartilhar com cuidado, e só com quem interessa.

Destacar que há pessoas que se expõem muito em seus perfis nas redes sociais porque querem se tornar celebridades. Há também aquelas que, de fato, se tornaram celebridades e que se expõem como parte de sua autopromoção. É um risco que elas correm, e que precisa ser calculado para não acabar mal.

Pedir que os estudantes apresentem o que pesquisaram sobre configurações de privacidade de redes sociais. Associar estas configurações às informações que não devem ser divulgadas, discutidas no início da aula.

Para a próxima aula, pedir que os estudantes pesquisem sobre leis relacionadas à Internet.

Aula 5 – Internet é terra sem lei?

Pedir que os estudantes apresentem as leis que descobriram.

Destacar as principais, explicando de que tratam em linhas gerais:

Esclarecer que há leis que tratam especificamente de internet em alguns trechos, como a Lei 13185/2015, conhecida como Lei Antibullying. E que leis mais gerais, como o ECA, por exemplo, valem tanto no mundo físico quanto no virtual.

Avaliação: questionar os estudantes sobre o que absorveram dessas aulas e o que gostariam de ter aprofundado. Pedir que comentem se adotavam alguma prática irrefletida no uso da web e o que pretendem modificar a partir de agora. Um desdobramento possível para a avaliação é a criação coletiva de um guia de segurança digital para divulgação na comunidade escolar, entre as famílias e nas redes sociais dos estudantes.

Material necessário: Computadores ou celulares (caso a escola permita) com acesso à internet para realização de pesquisa.
Para tratar temas como segurança digital na prática (criação de senhas fortes, configuração de aplicativos etc.), sugerimos recorrer ao conteúdo produzido pela ONG SaferNet.

Para trabalhar Fake News, clique aqui e acesse o nosso plano de aula.

Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura "plenarinho.leg.br - Câmara dos Deputados" e não seja para fins político-partidários

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