Por que ensinar sobre eleições?

O período eleitoral é uma ótima oportunidade para discutir com os estudantes a importância da participação política na construção do país que desejamos. Entender como nossas escolhas impactam nossas vidas é fundamental para que passemos a fazê-las de uma forma cada vez mais consciente.

Mesmo que os estudantes do Ensino Fundamental ainda não votem, a política faz parte da vida deles. Afinal, quem não vivencia conflitos familiares ou entre amigos e precisa, de forma coletiva, encontrar uma solução? Quem, nestes processos, não precisa negociar, ceder ou respeitar as decisões diferentes da sua? E todas estas são ações essenciais no exercício da política.

Sempre é tempo de compreender que todos podemos ser agentes transformadores na construção de uma sociedade mais democrática, justa, solidária e sustentável.

Competências da BNCC

As competências gerais previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) envolvem a “mobilização de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.”

De modo mais específico, o aprendizado resultante deste plano de aula está alinhado às seguintes competências:

Conhecimento
Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

Pensamento científico, crítico e criativo
Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.

Comunicação
Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos, além de produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

Argumentação
Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

Empatia e cooperação
Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, suas identidades, suas culturas e suas potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

Responsabilidade e cidadania
Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Público-alvo: Estudantes dos últimos anos do segundo ciclo do ensino fundamental (do 8º ao 9º ano).

Disciplinas trabalhadas: Ciências Humanas, Linguagens.

Objetivos:

  • Conhecer a história da conquista do direito ao voto
  • Dialogar sobre responsabilidade na tomada de decisão
  • Refletir sobre como são feitas as escolhas
  • Refletir sobre o impacto das escolhas/decisões para os outros
  • Saber recorrer a fontes de informação confiáveis que contribuam para a tomada de decisão

Atividades propostas

Propomos seis aulas de 50 minutos, cada uma.

Aula 1 – Roda de conversa

Fazer perguntas aos estudantes sobre:

  • Como os políticos chegam ao poder?
  • Por que é que votamos?
  • O que é uma eleição?
  • O que fazem as pessoas em quem votamos?
  • Notícias mentirosas podem afetar o resultado de uma eleição?

Ouvir as respostas. Deixar que os estudantes digam o que pensam, sem corrigi-los. Novas perguntas podem ser feitas se forem necessárias para ajudá-los a se expressarem sobre o assunto. Esta roda de conversa servirá de termômetro para as atividades que virão a seguir.

Ao final, pedir que pensem se conhecem outras maneiras de fazer escolhas coletivas ou se têm ideias melhores do que organizar uma votação. Esta pergunta deverá ser o tema do início da aula seguinte.

Aula 2 – Sobre direito de escolher (eleição) e democracia

Pedir que comentem sobre as conclusões a que chegaram a partir da pergunta da aula anterior. Explicar que a eleição é resultado de um processo histórico e que, durante muito tempo, aqui no Brasil, votar não era um direito de todos.

Pedir que leiam o texto Viva a democracia e anotem em seus cadernos qual a diferença entre democracia e aristocracia e o que aconteceu com o Congresso Nacional no início da ditadura militar aqui no Brasil.

Esta leitura é uma oportunidade para conversar sobre a relação entre eleições (direito de escolher os representantes) e democracia. Contar que houve, no Brasil, um movimento chamado Diretas Já e que a população lutava para reconquistar o direito de escolher seus representantes.

Aula 3 – A história da eleição no Brasil

Recomendamos a leitura do texto A história das Eleições. Pedir que identifiquem no texto os momentos de mudança no processo eleitoral.

Depois da leitura, perguntar:

  • No começo da nossa história, quem podia votar?
  • Quando as mulheres passaram a votar?
  • O voto sempre foi secreto? Por que ele passou a ser secreto?

Ao final, comentar sobre a luta para conquistar o direito ao voto, depois para reconquistá-lo. Por isso, a necessidade de valorizá-lo e fazê-lo de forma consciente.

Leituras complementares, caso o professor queira aprofundar o assunto:

Para concluir esta atividade, sugerimos assistir ao vídeo das eleições.

Aula 4 – O que fazem os candidatos que elegemos

Leitura recomendada: Os três poderes

Pedir que identifiquem para quais poderes escolhemos nossos representantes, quais são as funções dos membros do Poder Legislativo e do Poder Executivo? Eles devem anotar as principais diferenças em uma tabela e comparar as informações.

É importante que, ao final da atividade, os estudantes sejam capazes de diferenciar as funções entre os poderes Legislativo e Executivo e que entendam a responsabilidade que temos ao entregar um mandato a uma pessoa. Afinal, ao serem eleitos, esses representantes passam a ter o direito de decidir em nosso lugar.

Para brincar com este conteúdo, sugerimos o jogo A palavra é… Três Poderes. Como neste ano as eleições são municipais, os estudantes também podem ser orientados a ler o texto Vereador, o porta-voz do município.

Aula 5 – Quem me representa?

Dividir os estudantes em duplas por sorteio. Cada membro da dupla deve escrever em um pedaço de papel o que ele acha que é o grande problema da cidade, na visão do outro, mas sem consultá-lo e sem revelar a resposta. Feito isso, cada um lê para o seu parceiro o que anotou e confronta com o problema real.

Quando todos terminarem, perguntar se houve discrepâncias entre a resposta imaginada e a real. Depois de ouvir os estudantes, o professor os chamará a refletir sobre a experiência que vivenciaram, traçando um paralelo com a escolha de um representante nas eleições – alguém que vai, em seu nome, dizer o que é importante para você. Por isso é tão importante conhecer bem as ideias dessa pessoa.

Esta atividade complementa a anterior e a conversa final pode ser feita à luz do que foi discutido sobre o papel dos que elegemos.

Aula 6 – Fake News e eleições

Pedir que os estudantes pesquisem em matérias jornalísticas, posts, redes sociais e memes, informações sobre notícias falsas e eleições. Eles devem anotar as informações coincidentes e as contraditórias, refletindo sobre a confiabilidade da fonte, o contexto e propósito da mensagem.

Em seguida, conversar a importância de se estar atento ao que se lê, tentando sempre manter um espírito crítico, e pesquisar em diferentes fontes.

Se o educador quiser se aprofundar no tema das #fakenews, temos um plano de aula sobre o assunto.

Enquanto as aulas estiverem acontecendo virtualmente, os estudantes podem discutir em grupo como eles organizariam uma ação online para conscientização a respeito destas questões, veiculando memes, infográficos, textos curtos que tenham sido produzidos a partir das reflexões que fizeram.

Avaliação: Pedir que os estudantes avaliem o que aprenderam a partir dos objetivos anteriormente estabelecidos. O que sabem agora sobre: a história do voto e a importância que tem esse direito; por que é preciso estar atento a como fazem escolhas e tomam decisões; o impacto que a escolha de representantes pode ter na vida deles e na dos outros; a desinformação, as notícias falsas e suas consequências no processo eleitoral.

Finalmente, pedir que eles comentem o que aprenderam e que julgam ser o mais importante sobre eleições.

Quer se aprofundar no assunto?

O Plenarinho oferece um programa educativo sobre eleições com duração prevista de dois semestres: é o Eleitor Mirim. No primeiro semestre, os estudantes trabalham conceitos relacionados a voto, democracia e representatividade. No segundo, criam um candidato, sua plataforma política e a campanha eleitoral. O processo culmina com a votação, que elegerá qual, entre os candidatos criados, representará os estudantes. Saiba mais.

Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura "plenarinho.leg.br - Câmara dos Deputados" e não seja para fins político-partidários

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